14 01 2009

Breves anotações sobre dois filmes

Vicky Cristina Barcelona

Eu sempre adorei os filmes de Woody Allen. O primeiro que assisti (Sonhos de um sedutor), me mostrou que a comédia podia ter um fundo dramático imenso. Aprendi um pouco a rir da vida, a não ser tão preocupado com ela. E depois procurei outros.

Os filmes de Allen sempre tiveram algo que nos levava a vida real, ao mundo real. O ladrão trapalhão que procura sustentar o filho e deixa o revolver com o amigo que é policial e que ele esta assaltando para mostrar as fotos do filho é o maior exemplo disso.

Entretanto, não sei se sou eu que estou envelhecendo ou Allen que envelheceu. Mas Vicky… Perdeu totalmente este significado. Ao contrário de outros filmes, onde sempre o problema da sobrevivência, do ganhar dinheiro faz parte da vida, isso não acontece neste ultimo filme. Todos já têm a sua vida resolvida – Vicky que casa com um executivo de sucesso, Cristina que de alguma forma não precisa de dinheiro para viver, a tia de Vicky e o marido que tem um barco, o pintor Juan Antonio que é um pintor de sucesso. Assim, as únicas personagens divertidas são o pai de Juan Antonio, o maior poeta da Espanha que nunca publicou nada porque a humanidade não o merece e Maria Elena, a louca mulher de Juan.

Ainda tem algo divertido? Sim, ainda se pode rir de Allen, mas é uma risada vazia da vida vazia da burguesia sem problemas que passa pela sua tela. A pressa dos empresários, o trabalho, não existe para Allen. O melhor momento do filme é seguramente quando Maria Elena atira em Vicky. Pena para o filme que ela tenha errado.

O dia em que a Terra parou

Sempre dizem que as refilmagens são piores que o original. E este filme está sendo muito criticado como uma bobagem “ecologista”. Poderia ser. Mas é muito pior que isso. O filme original trata da visita de um personagem de uma civilização superior que, em contato com a humanidade, procura ensiná-la a sair do buraco onde estão se metendo com o uso da energia nuclear. Assim, a Terra “para”, é parada, pela tecnologia superior como um efeito demonstração onde o que temos é o discurso pacifista do seu representante pedindo que a humanidade se corrija ou vai sofrer as conseqüências.

No novo filme a humanidade está sendo estudada há muito tempo e já foi julgada. O incrível é que o julgador resolve morrer junto com os julgados. Enquanto o alienígena do filme original é um homem comum, que sofre e vive como todo humano, o alienígena atual é um super herói que mesmo ferido move forças alem da compreensão humana.

O robô anterior só se coloca em movimento para resgatar o alienígena e levá-lo para a nave. Neste, assim que é tomada a decisão e comunicada, o robô já começa a destruir a terra. A terra “para” não como aviso, mas como necessidade de energia do aliem que precisa vai fazer um feito super-heroico. E no final, quando o aliem decide mudar seu julgamento o faz sem nenhum dado objetivo (ele se comporta como um robô no inicio), mas apenas movido por sentimentos que supostamente nunca teria visto.

Ao lado disso tudo a afirmação de que o planeta não é nosso, nunca foi. Sim, tudo o que tinha de positivo no filme passado, foi jogado as traças e deste só sobrou à imagem que temos que ter um super-herói ecológico que mate a humanidade para sobrar vida na terra. Muito ruim para algo que já foi positivo.


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