Novo governo, novos ventos. A viagem de Obama para a Europa e para a cúpula das Americas foi um sucesso. Paparicado por todos, paparicando outros, Obama declara que quer diminuir o arsenal nuclear, que quer um novo tempo onde as relações sejam de parceiros. Quase que distraidamente ele também explica que os EUA nesse novo tempo, com a parceria de todos, só quer “liderar” sem impor nada a ninguém. Legal, eu também quero liderar.
O problema é para aonde aponta a liderança de Obama. O depoimento de Hillary Clinton no congresso (22/04) mostra os rumos que o governo Obama quer tomar:
- Israel – exige que o Hamas reconheça o estado judeu como condição para participar de um governo palestino que seja sustentado pelos EUA. Esta declaração resume tudo – o governo palestino atual depende de verbas remetidas pelos EUA e pela União Europeia, diretamente ou indiretamente através de Israel. E como quem paga a banda escolhe a musica, não interessa em quem os palestinos votam – EUA e EU é quem escolhem o governo. Essa declaração brutal de Hillary mostra exatamente qual dialogo os EUA querem. Quanto a questionar os mais de 1.300 assassinatos durante a invasão da faixa de Gaza, quanto ao bloqueio de Israel e do Egito que impede que o material de reconstrução chegue a Gaza e que a economia possa fluir, sobre isto Hillary nada tem a dizer, porque esta é a sua política, levada a cabo por meio de terceiros.
- Cuba – Hillary declara que a era dos Castro está chegando ao fim e que os EUA devem se preparar para este fim. Muy amiga, muy amiga. Enquanto que Raul declara que quer conversar sobre tudo – e não estamos aqui avalizando a política de Raul Castro ou do Hamas, com os quais nada temos a ver – ela declara que se o nome é Castro deve finalizar. Que pretende levar a democracia e os direitos humanos para Cuba, que exige a libertação dos prisioneiros políticos. Interessante. Porque ela não liberta seus próprios prisioneiros políticos, a começar com os de Guatanamo e devolve a área para Cuba, porque lá permanecem ilegalmente e ninguém questiona? Porque ela não propõe revogar a mafaldada lei de segurança que permite a detenção ilegal de pessoas, que permite a escuta ilegal, tudo isso nos EUA, a “terra da democracia”? porque Obama não permite que se processem os torturadores da CIA e do Exercito, explicando que eles só “obedeciam ordens superiores”, quando este argumento foi detonado no julgamento de Nurenberg dos nazistas?
- Irã – novamente, a ameaça de voltar com o embargo comercial renovado e mais forte. Ora, ora. Francamente, não tenho nenhuma simpatia com o regime dos aiatolás, um regime despótico e ditatorial. Mas se tem algo que faça este regime parecer simpático é a forma como os EUA tratam. Os EUA boicotam a conferencia sobre racismo da ONU (assim que a declaração final estiver disponível faremos a analise dela) e armam o palco para o presidente do Irã. Depois tem o maior numero de armas nucleares do mundo e nunca questionaram as armas do Paquistão, da índia, de Israel. E agora questionam o direito do Irã de ter uma usina nuclear?
Realmente, os EUA querem somente “liderar”. Os outros tratem de segui-lo ou então….
Luiz Bicalho
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