Ano Novo

31 12 2012

Ano Novo

Feliz Ano Novo
(a la Maiakoviski e Noel Rosa)
Eu desejo a todos os meus amigos sonhos felizes
E a todos os descrentes de sonhos e igualdade
Que posso eu lhes desejar?
Espero que um dia possam também sonhar felizes
E que juntos – amigos, descrentes e desconhecidos –
Construamos este novo mundo novo
Aonde palavras como “fome”, “miséria”, “exploração” e “guerra”
Sejam fósseis tão incompreensíveis a nova geração
Como foram incompreensíveis os fósseis de dinossauros aos nossos avós
Aonde a palavra socialismo seja somente a realidade
Tão simples e natural
Como nos é hoje a palavra diferença
Um mundo aonde o amor seja tão natural
Como respirar hoje nos é natural





Maldito Hospital

23 11 2012

(a la Fernando Veríssimo)

Hospital é algo triste. É triste quando vamos visitar algum amigo e parente. E mais triste ainda quando visitamos a nós mesmos, internados por alguma doença.

E aqui estou. Internado. Médico. Enfermeiras. Auxiliares. Aparelhos. Exames. Mais exames. E comida sem sal. É de praxe.

Definição: comida de hospital não tem sal. E não tem gordura. E também não tem gosto.

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Médico é torturador. Com aquele sorriso. E nunca responde uma pergunta direta: Como estou doutor? só tem uma resposta: melhor, melhor….

E enfermeira então? bota soro. Tira soro. Bota soro…

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As enfermeiras me torturam sempre. Mas o problema não é o soro. É que são bonitas. Eu olho e não posso pegar. O médico também é bonito. Um sorrisão. Será que ele tá me dando remédio pra ser gay? pra prevenir eu fico o tempo inteiro olhando pras enfermeiras. Encarando. E elas sorrindo.

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Não sou gay. Definitivamente. To apaixonado pela enfermeira. Com soro e sem soro. Vou pedi-la em casamento.

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A Enfermeira não aceitou o pedido. Disse que pelo menos eu devia saber o nome dela. Mancada total.

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Minha mulher pediu que eu fosse examinado pelo psquiatra. Que é bonitão e de bigodão. To com medo de novo de virar gay. Acho que vou pedir a enfermeira da noite em casamento.

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Fui denunciado a delegacia de mulheres por tentativa de bigamia. Continuo no hospital. A delegada veio pegar meu depoimento. Acho que sou hetero. Agora não sei se peço a delegada ou o médico bigodudo em casamento. Minha mulher pediu o divórcio….

(Este texto foi feito em homenagem ao grande escritor Luiz Veríssimo – sabendo que na Internet circulam vários textos em seu nome que não foram escritos por ele. Assim, espero que ele melhore e que continue a produzir textos e a ser modelo para tantos neste Brasil afora)

Luiz Bicalho





Tempo

20 07 2012

Ontem, eu jogava futebol no meio da rua

Ontem, eu subia em arvores

e sonha em ser Tarzan numa floresta 

Ontem, eu corria livre pelo quintal

brincando de pega pega com meus irmãos

Ontem, eu construia diques para deter enchorradas

Ontem, eu me apaixonava por estrelas de rádio e do cinema

Ontem, eu sonhava com amigas da escola

Ontem, um só beijo e eu estava amando

Ontem, eu sonhei com revoluções e feitos heroicos

Ontem, eu pilotei espaçonaves em meus pensamentos

Ontem, fui o capitão pirata que saqueou Londres

Ontem, corria pela praia e paquerava cocotas

Ontem, eu lia todo livro que eu via

Ontem, eu lia 10 livros por semana

Ontem, eu corri da polícia e também nela bati

Ontem….

Hoje, apenas uma carcassa velha carrega os sonhos de outrora

Hoje, apenas o desejo de um negro branco amanhecer

Aonde as cores, esmaecidas, desapareçam para sempre





Sexta Feira que não é 13

19 07 2012

A sexta feira não chegou

mas chegou o frio que não pedi

a doença que não esperei

e chegam amigos queridos que esperados são

Ah, a sexta feira que não é 13 não chegou

chegou o azar da doença

o imponderável da coceira que te atinge acima do bem e do mal

“Deus ajuda” e eu rio

que, se deus existisse e todo poderoso fosse

ela já teria me ajudado a adoecer

Ah, tanta ingenuidade neste mundo

nesta sexta que não é 13

as greves continuam e o governo endurece

“esperem” “esperem” diz o governo

esperar o que se a esperança vai embora a cada dia que passa

o mundo não será o mesmo 

e minha pele, infelizmente, só coça

nesta sexta feira que não é 13





Doença

15 07 2012

Dias frios e escuros

minha pele irritada e ardendo

noites frias solitárias

(luiz bicalho)

 

O mundo, foda-se o mundo

Eu preciso do doce pure de maçã

meus cavalos inexistentes por um pure de maçã

(luiz bicalho)

 

As regras, fodam-se as regras

minha pele irritada quebra todas as regras

o sono me abandonou

(luiz bicalho)

 

Dias frios nuvens que não chovem

Falta-me o sol do meio dia

falta-me o aquecimento global

(luiz bicalho)

 

 





Mortes

28 03 2012

Chico Anísio parece que abriu uma temporada de mortes

Morreram todos os seus personagens, que aprendi a amar quando criança

morreu depois a Ademilde Fonseca, que de choro só vim conhecer muito mais tarde

morreu hoje o Millor Fernandes que me ensinou o surrealismo sem nunca ter ouvido falar nesta palavra antes

morreu um pouco de mim que a todos admirava





Divagações nada bucólicas

8 03 2012

Queria divagar sobre pastos, campos e aves

mas estou longe de pastos, campos e aves

meu horizonte são prédios cinzentos

janelas escuras, algumas até iluminadas

Quando desço a rua, asfalto

e o máximo de vida que vejo são pombos

pombos

e pessoas correndo apressadas suas vidas vazias

ou talvez cheias

cheias de carros, cheias de alcool, cheias de tanta chateação da vida moderna

Eu estou cheio de vida e pulsa em mim o querer diferente

na praia, parado, me sinto deslocado em meios a corpos torrando no sol

na praia, a noite, andando, me sinto deslocado

estou deslocado

desfocado

deslizo

lizo

ligo meu rádio e não ouço nada

ligo a TV e passam velhos filmes que não me dizem nada

rio

rio de janeiro que eu gosto

rio

sem janeiro

 








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