Minha cidade

Poesias

Minha cidade

Nasci numa cidade pequena que não chega a dez mil habitantes
Aprendi a ser verdadeiro
que numa cidade pequena não se pode mentir que todos descobrem
Destesto mentirosos
e apaixono-me perdidamente por elas
Sofro, morro, nasço novamente
e me apaixono errado, pois errar é tudo que se faz numa cidade pequena

 

Cidade – II

A linha de trem cortava a cidade em duas

Cada lado subia um morro

No alto de um dos lados, tinha uma igreja e um cemitério

Do outro lado uma cruz e a caixa d´agua

Minha avó materna morava no morro da igreja

E minha avó paterna no morro da caixa d´agua

Faltava água na casa de minha avó materna

E sobrava igreja nas duas casas


 

Cidade – III

No verão, ao sol, chegava-se a 40 graus a sombra

(e nunca entendi como se chegava a 40 graus a sombra no sol…)

No inverno geava e destruía todas as plantações

O ar era rarefeito numa cidade alta

E jogava-se futebol num campo que tinha uma só trave

Quando eu tinha dezesseis anos

Meu tio me levou para comer uma puta

Pegamos ela de carro e ele nos levou até o campo de futebol

Vazio aquela hora da noite

Ela subiu as saias, tirou a calcinha e falou “mete”

Comi ela e não tive prazer

Meu tio perguntou como foi e respondi “bom” com voz querendo chorar

Ela não me beijou

Minha primeira namorada tinha 12 anos

E eu dezesseis

Ela namorava muito, sabia beijar

E eu era um tolo que pensava que ela ficava só comigo

Carreguei a tolice a vida inteira


 

Cidade – IV

O quintal de minha avó paterna era uma verdadeira chácara

Quando você entrava na casa, não tinha idéia do que tinha nos fundos

Em frente a porta da frente, depois de um portão, existia um terreno de secar café

Que em seus áureos tempos (não vi) ficava cheio de café

Saindo da porta da cozinha, outro portão

Dava para os fundos, onde se encontravam as frutas e se unia em cima ao terreiro do café

Tinha um chiqueiro

E um pé de saborosa – fruta azul que nunca mais vi na vida

Tinha peras, maçãs, laranjas que meu avô descascava com canivete

Fazendo uma tampa que todos os netos adoravam

Tinha jabuticaba no pé que subíamos

E tinha mangas…manga que não acabava mais

Eu quis comer minha namorada no quintal

Ela não quis dar

Não comi ninguém lá

Só fantasiei


 

Cidade V –

O Trem, para lá chegar, tinha que subir uma serra

Atrelava uma maquina na outra, senão não subia

E os vagões passavam

Trens de carga, de tão compridos que se perdia de vista

Trens de passageiros com os vagões de segunda e de primeira

Nos vagões de segunda pessoas tristes esparramadas em bancos de madeira

E ali, pela primeira vez, eu via a diferença social

E não entendia porque as pessoas iam de segunda

Para subir era difícil

Para descer, se o maquinista não fosse bom o trem descarrilhava

Voando morro abaixo, arrastando cargas e passageiros

Para fixar os trilhos, a pedra batida

Pedras para calçar as ruas

Pedras cortadas por onde o trem passava

O meu coração endureceu

Olhando as pessoas estiradas nas calçadas do Rio quando eu tinha 20 anos

Nos amores perdidos, nas noites solitárias

E para se chegar a ele tem que se atrelar duas maquinas

E subir a serra, resfolegando

E para descer tem que ser bom maquinista

Senão o trem descarrilha e é muito difícil coloca-lo no lugar


 

Cidade – VI

Leituras (Cidade – VII) Leitura

A casa da minha madrinha era cheia de livros

Principalmente livros de Julio Verne

Eu sonhava com Julio Verne

Subi 5 semanas em um balão

Vivi em uma ilha misteriosa

Fui disparado em direção a Lua

Sofri sob o sol do verão de 40° o frio do Polo Norte

Chorei nas estepes russas

Viajei ao fundo do mar

Na casa do meu tio

Outro lado da cidade

Existiam livros de Victor Hugo e filosofia

Assim viajei na catedral de Notre Dame junto com seu corcunda

Chorei o sorriso triste do homem que ri

Morri em noventa e quatro

E todos os dramas me mostravam que Deus era uma lenda

Eu corria entre a filosofia e o drama de Victor Hugo

Pulando os trilhos entre uma casa e outra

Chupando manga nos quintais

Sentado e deitado nas varandas

Até os sonhos de Julio Verne

Assim passavam as férias

Assim fui feliz

Ainda não conseguia ver o drama da miséria que florescia aos pés de livros e quintais  

Cidade VIII – Meu avo era Maestro

Meu avo materno era maestro de banda Compunha…e todas as suas composições perderam-se

Ele era apressado

Uma vez me apresentou uns amigos seus

Enquanto eu falava duas frases, procurei meu avô

E ele já estava no alto do morro, deixou-me embaixo 

A noite eu ia nos ensaios da banda

E dormia com o barulho ensurdecedor

Meu tio não acreditava

E tinha que subir o morro me carregando no colo 

Meu avo tomava um bule de café por dia

E almoçava com prato na mão, andando pelo terreiro

Nunca consegui me aproximar demais dele

Quando chegava, ele já tinha ido 

Algumas pessoas são assim na vida

Quando chegamos, elas já foram

Eu tentei com meu avôE aprendi não tentar mais

E sigo esperando

Quem queira esperar ou chegar também

 

Vento em Copacabana

O vento, hoje, varre as calçadas de Copacabana

Varre as prostitutas, varre os mendigos

E enche a calçada de uma areia fina que sobe da praia

Igual a areia do deserto do Saara, do outro lado do Atlântico

So o que o vento não varre

É a desilusão que se espalha entre homens e mulheres

Traídos, vendidos, sentidos

Em alguns o desespero

Bares, bebidas, igrejas, o chorar silencioso

Outros, resolutos

Buscam um caminho certo

Não mais a crença cega

Não mais acreditar sem pensar

Antes, o grito cego apoiando pessoas

Agora, o ler, o refletir, o sentir idéias e conceitos

Um novo começo, um novo pensar

Uma nova pessoa

Construída sobre a desilusão

Mas construída com muita determinação

  

Em muitos a solidão e o vento

Mas em outros a paixão do novo fazer

Pisando o deserto de homens e idéias

Construindo um novo mundo onde os sonhos não se dissolvam ao primeiro vento


 

  

Vi agora o teu poema em resposta ao meu “noite”

o teu poema tem a aurora da vida

o meu o seu ocaso

o teu carrega a esperança de um amor vindouro

e a felicidade do amor presente

o meu, coitado, carrega a dor do amor ausente

o tedio triste de um amor findo

Eu tentei, como Manuel Bandeira

Fazer uma noite feliz

e tudo o que consegui

foi a mortalha enviuvada de sentimentos doces

A poesia deve trazer em si a felicidade

Se não diretamente, pelo menos em germe

Eu leio os poetas, eu olho a lua

E busco a felicidade

Mas a minha poesia

Carrega a raiva de um mundo triste

Carrega a raiva de um mundo cruel

A raiva da mãe que teve seu filho assassinado pela polícia

Do pai que vê seu filho corrompido pelo trafico

Da avó que vê a neta prostituída

E o amor que não consegue mais encontrar seu objeto

A minha poesia

Carrega a raiva de um amor abandonado

O ódio pelo aquele que te abandonou

E a doce adoração de um ente distante

A minha poesia

É feita de amor e ódio

Eu, desfeito em lagrimas,

Odeio, amo, beijo

E sinto a lua desfazer-se em versos tristes

Quando tudo o que queria era alegrar um amor distante


 

Vida

A minha vida é triste

Eu sou alegre

Premido por esta contradição

Sigo em frente

Choro as vezes

Rio

E me derramo rio afora

Rio adentro

Na praia em dia de sol

No mar banhado pela lua prateada

(e me sinto envergonhado pelo pobre verso com adjetivo tão banal

Mas a lua me consome e não me deixa falar mais nada)


 

Oi Ana

Teu sorriso lindo

teus olhos luminosos

fazem crer que este dia foi escolhido para receber uma estrela nova no universo

Junto de ti nasceu uma estrela, com seu nome, seu sorriso e sua sina

Siga a tua vida qual estrela nascente, brilhando oculta entre milhões de outras

e visível a cada um que saiba o que é beleza


 

lembranças – choro – dor – ausência – triste

Encontro

Encontrei um novo amor

(as lembranças de ti esvanecem)

Ela me sorri, e joga os cabelos de lado

(choro quando lembro tua cabeça raspada)

Eu pego seu rosto e a beijo suavemente

(tua ausência já não sinto mais)

Sorrio, triste e alegre, ao meu novo amor

(de você relembro o cantar alegre)

Ela alivia a minha dor

(e tudo o que resta é um beijo salgado)

Palavras – suave, tentação, lua, praia, separação

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2 responses

10 06 2010
Fernanda

parabéns pelas poesia ,mais só reparei uma coisa a escria. tem algumas coisas erradas aí mais parabéns… entrei no site para um concurso da escola . M e ajudou muito!

10 06 2010
Fernanda

ops também escrevi errado…

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