24 de abril – La Moneda e partida

27 04 2011

24 de abril – Museu La Moneda e partida
Bom, já que não pude visitar o Palácio de La Moneda, hoje fui ao museu (depois ao mercado popular que fica na Estação Central).

palacio de la Moneda

A ideia do Museu é muito boa, juntar coisas e artes da América. Por isso um mapa no chão, feito por tabuletas escritas por muitas pessoas (são muitas tabuletas, muito bonitas) e umas placas horizontais com o nome de cada pais da América.

Museu Latino Americano

A exposição, em si, não me agradou muito. Um ou outro quadro, sendo que é probido fotografar e eu, como sempre, meio distraido, não vi a placa pequena na entrada e tive a atenção chamada por um guarda que estava la na frente.
Tomei café no café de lá que tem muita empafia mas o café não é bom não. E segui em direção à Estação Central, onde fica um mercado popular. Bom, sem surpresa, é o lugar mais barato de Santiago, inclusive a comida. Povão puro. Se alguem ai tiver com problemas de dinheiro pra comer em Santiago pode visitar o local. Tem até um Bob´s. E não vi Macdonald não.
Da pra ir de metro (preço 600 pesos, hoje por volta de 2,3 reais), mas se for mais de uma pessoa, do centro, vale a pena tomar um taxi (aproximadamente 2.000 pesos, algo em torno de 7 reais).
Depois, foi arrumar a mala e preparar para partir. Partir sempre deixa algo de si e a sensação de que falta algo, que nem tudo foi feito, nem tudo visitado.
O aeroporto de Santiago, ao contrário do Brasil, parece vazio. Fiz várias fotos da solidão que eu proprio sinto nesta partida. Musica lenta, calma, mas também sem nenhuma variação, feita para locais assim, para descontrair e não para ouvir. Pessoas passando lentamente, tem até uma starbucks aqui do lado do portão da Lan aonde sairá o voo para Sydnei. Expectativa….20 horas de voo (com parada num aeroporto, já esqueci aonde). E depois é chegar num local em que o fuso horário é trocado. Enfim, vamos a luta e acho que o proximo texto já vai ser sobre a terra dos cangurus.
Ah, to sem internet…este texto só será postado já na Australia.





23 de abril – Valparaiso

24 04 2011

Promessas. Promessas devem ser bem articuladas, formuladas e, se não as faço para entes ou deuses inexistentes, as faço para mim. Mas o que fiz não chegou a ser uma promessa, era antes uma intenção: escrever somente sobre amenidades do dia a dia, algumas banalidades que por vez cruzam o nosso caminho arduo e fazem desse caminho algo mais suave.

vista de Valparaiso da casa de Neruda

Valparaiso no Chile era uma cidade que prenunciava algo assim. Pego um onibus comum e desço a serra em direção ao mar. Valparaiso. Sonho, mar, sol. Pode-se ver o porto e o mar a medida que chegamos na cidade. Do ponto de onibus até a casa de Neruda, gastamos menos de 30 minutos. Sonhos. A casa é no alto, de lá se ve o porto e o mar. Mas, algo está errado.

Em frente a casa construida ao lado da casa de Neruda

A primeira impressão sobre este erro é quando entro na primeira sala do museu: lá, um conjunto de posters explica o que estão fazendo. E o que estão fazendo é construindo um complexo em torno, ao lado, em cima, embaixo da casa original de Neruda. Sim, a casa se mantem mas a paisagem em torno foi totalmente modificada.

Se a casa de Neruda em Santiago conserva toda a parte política do poeta, a casa em Valparaiso é um assassinato político. Duas ou tres referencias ao fato de Neruda ser comunista e, no final, o poeta era somente um beberrão, amante da boa farra, marido exemplar, amigo para todas as horas, uma admirador do porto e do mar, um homem que sabia beber e se divertir.

Claro que sempre conservei minhas criticas políticas ao poeta que comunista também era membro de um partido estalinista e, como tal, parte dos erros e crimes que estes partidos cometeram. Mas o que fizeram com ele foi pior, muito pior. O estalinismo fez de tudo para eliminar Trotsky e sua política – assassinou seus colaboradores, seus filhos e depois ele próprio. Cortaram das fotografias e também reescreveram os livros para que ele passasse do mais fiel colaborador de Lenin para o rol de seus inimigos. Mas, justamente por isso, a sua legenda e seus ideais, organizações baseadas em suas proposições nasceram e morreram e continuam a viver.

A ditadura chilena, a direita, se ao queimar os livros de Neruda quis mostrar ao mundo que ele não existia mais e não mais poderia existir, trabalhando assim, fez melhor que os que hoje conservaram sua casa em Valparaiso: disseram ao mundo que ele era um comunista, inimigo perigoso do capitalismo e de todas as ditaduras.

Em Valparaiso, aparecem as referencias a que Neruda foi um senador comunista e até se inscreveu no partido comunista. Mas a tônica geral é o bom-vivant, do homem amante do vinho, do sol e do porto, do trabalhador da palavra e da poesia, de alguém que vivia de sonhos, de poesia, de ver o mar e o porto. Nada do militante combativo, nada sobre sua morte e sobre como tentaram apaga-lo da face da terra, a ele e todos os seus escritos. Morte pior que essa não pode haver: do homem combativo sobrou somente o amante do vinho e das nuvens.

Sim, eu sei: a morte de Marx também se faz por ai. Os que hoje se dizem marxistas, trotquistas, a maioria deles se Marx e Trotsky vivos fossem já teriam sido cobertos de ridículo. Ridículo todos os que se dizem trotquistas, internacionalistas, que só conseguem defender bandeiras nacionalistas e bandeiras rasteiras sindicais. Rídiculo todos os que se dizem marxistas, socialistas, comunistas e querem explicar que o proletariado não é mais aquele, que existem “novas vanguardas” e “novos caminhos”.

Mas estou me perdendo, ainda que em uma cronica com algo de político. Valparaiso é bela e feia. Belas suas paisagens que Neruda apreciou, feio e sujo o porto, seus prédios construidos pela ditadura, suas banquinhas de camelo aonde encontramos pulseiras com simbolos nazistas a venda.

Hotel Rainha Vitoria - Valparaiso

Sim, eu me penitencio. Tal imagem – a pulseira com a cruz gamada – me enojou e acabei não fotografando. Ainda se encontram bancas com simbólos “a esquerda” – Che, Socialismo, Liberdade. Mas o ritmo geral da cidade, em primeira impressão, talvez muito mal formada de todo viajante apressado que passa e só olha “por cima” muito pouca coisa em cinco horas de caminhada, é feia. Lamento. Pelos trabalhadores chilenos que tanto já lutaram e que tanto lutam.

Saudações Comunistas

Luiz Bicalho

lateral suja do Hotel Rainha Vitoria





21 de abril – Banco do Brasil e museus

22 04 2011

21 de abril – banco do brasil e museus

Banco do Brasil - Santiago - Prédio grande em bairro chique

Ta, eu não contei antes. Meu cartão recusou-se a funcionar e a retirar dinheiro. E então fui parar no Banco do Brasil. Descobri duas coisas. O novo “papel” do Brasil leva a um banco “maior”. A agencia do Banco do Brasil é um predio imenso, no quarteirão rico de Santiago. E, claro, fui atendido por uma chilena que não sabe falar portugues mas entende o portugues. Que, gentilmente, me fez o obvio. Ligou para o Banco do Brasil no Brasil, setor de cartões e eles desbloquearam o cartão.
Ah, vão dizer voces: esqueceu, né? coisa nenhuma. Eu habilitei o cartão no Brasil para uso no exterior, mas, atenção, o Banco do Brasil acho que usar o cartão no Chile não fazia parte do meu “perfil”. E ai, automaticamente, o sistema entrou em ação e bloqueou meu cartão. E eu poderia ter resolvido tudo por telefone, sem ir ao Banco do Brasil, ignorancia minha. Mas o passeio de metro foi divertido, ver o bairro dos ricos (uma especie de avenida Paulista daqui) foi divertido. Recusei-me a ir ao circo dos horrores.
Explico. No bairro dos ricos fizeram uma praça com a reprodução de um povoado “antigo” do interior, com ruas de barro batido. Muitas lojas, segundo o guia. Minha impressão: parece favela pra turista ver. Tem mais coisas a fazer no Chile que ir num lugar desses.

Fui a casa de Neruda. Linda. E triste. É triste ouvir a história de que invadiram a casa de Neruda quando ele estava no Hospital (para procurar “armas vindas de Cuba”). Interrogado, ele estava em seus últimos dias (cancer e doença de coração) ele respondeu que as únicas armas que tinha estavam em sua biblioteca. Os militares invadiram a casa.

Todos os livros foram retirados e queimados em praça pública. Mas, não foi só isso. O que puderam levar, como ladrões comuns, levaram: mesas, cadeiras, geladeira. Isto é a moralidade da direita. Como disse Cazuza: a direita é a guerra! e, acrescento: roubam dos trabalhadores o trabalho não pago e também, quando podem, roubam diretamente um poeta em um leito de hospital que já não pode protestar.

Eu na casa de Pablo Neruda

Novos tempos, nova vida, “democracia”. Agora posso ouvir a história sem ser preso, posso percorrer a casa e posso depois ir no museu de Belas Artes do Chile. Muito lindo (passei num museu antes, mas foi uma merda, não vale a pena falar). Vi esculturas que nunca tinha visto semelhantes. Afinal, este é um pais católico. E, nada mais justo, que ver uma escultura de Jesus sendo retirado da cruz. Mas, embaixo, lavando os seus pes com os cabelos encontra-se Maria Madalena. Se lembramos da Biblia, este episodio é anterior. Mas o artista juntou as duas partes.

E o resultado foi genial: uma Maria Madalena, nua, linda (podem crer, ela é linda) lavando os pés de Jesus com seus cabelos. Sensual demais. Como é sensual outra escultura do mesmo artista de dois jovens se cortejando. Alias, sensualidade é o que não falta nas esculturas e pinturas religiosas deste museu. Muito legal.

apaixonei-me pela Maria Madalena

Cansei. Ir ao BB, depois a casa de Neruda, depois a pé até o museu, andar pela casa, dois museus, meus pés doiam quando terminei e peguei um taxi para o hotel. Comprei suco e agua. E vim dormir.





20 de abril – Santiago Chile

21 04 2011

A viagem de avião foi mais incomoda que esperei. Poltrona de avião é algo que me chateia demais. Mas reconheço que a comida foi boa e o vinho melhor ainda. Ao lado dois brasileiros que conversam e bebem vinho também.

copo de vinho no avião

Cheguei e tive que declarar que carregava produtos vegetais. Como sempre, preenchi a declaração e perdi. Tive que fazer tudo de novo. Verificação de passaporte, um minuto. Raio X e pergunta “que trazes”? e respondo: “farinha e mate”. “ah, passa”. Cambio de euro por pesos chilenos. Taxi. Hotel.

Uma surpresa agradável: o hotel é gostoso, confortável. A vista a noite é linda, de dia nem tanto. O café da manhã é bom, mas não consegui identificar o suco…que vem com muito açucar.

vista da janela do hotel em santiago

Frio. O dia é frio. Ida até o Palacio La Moneda. Não podemos entrar, só no museu, mas acabo perdendo onde é a entrada do museu. Plaza de armas. Vejo a catedral. Bonita e triste. Pessoas rezando, caras tristes. Confissões, nem sabia que isso se fazia assim, a vista de todos. Pinturas bonitas.

Museu Historico – não se pode tirar fotografias. Uma criança pergunta se sei bailar capoeira. Não, não sei, responde entre risos de todos. Dezenas de crianças visitando o museu, deitadas, sentadas no chão, tocando. Isto é muito diferente de museus no Brasil e na Europa. Parece vivo. O museu vai até a derrubada de Allende.

Almoço – cara, que comida boa. Comi demais, uma taça enorme de vinho. Vou me viciar em vinho.

Museu Pre Colombiano – a sensação de civilizações antigas que desapareceram sem deixar vestigios (mais de 3.500 anos antes de cristo). Mumias. Homens altos de madeira. Tecidos. Pinturas. Esculturas. E como tem vasos, copos e assemelhados. Parece que o pessoal também gostava de beber.








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