Gangorra balançando em AAA

10 08 2011

Balançando

A bolsa sobe. A bolsa desce. E Obama declara: “os EUA sempre serão AAA”. Legal. E eu quero ser B. B de bonito. B de Balaio de gatas, que esse negocio de ter balaio de gato é muito moderno pra alguem já velho como eu. B de Barato, que eu não preciso tomar nada, nem um copo de vinho, que sempre estou em barato. Quero ser I. I de inteligente. I de implicante, que os EUA e seus presidentes sempre me implicam.

A bolsa desceu e os jornais tocaram os bumbos: Essa será uma crise pior que 2008. E as bolsas subiram e os jornais tocaram…não tocaram nada, que cada um falou uma coisa diferente que não entenderam nada do que aconteceu. Mas, o que todos tem certeza, é que a classe trabalhadora tem que pagar pela crise. Manchete no Estado de São Paulo: Bancos demitirão 100.000 trabalhadores no mundo inteiro. Manchete no Brasil: Aumenta o valor do Super Simples. Em outras palavras, mais burgueses terão isenção de impostos, menos dinheiro entrará na previdencia social. E no Chile milhares saem as ruas. E na Inglaterra milhares saem as ruas. E a burguesia, seus analistas e experts acham que são mais crises comuns que podem ser resolvidas por meios comuns. Não enxergam nas manifestações, de outra forma, em outro conteudo, a continuidade da crise que derrubou as bolsas na segunda e as elevou na terça. I de Ignorantes. Todos eles.





Enquanto ocorre a Olimpíada

11 08 2008

Pelo menos nos jornais, nada de novo parece ocorrer. Os escândalos deram pouco o seu ar de graça, o noticiário policial diminuiu de tom e até as pesquisas eleitorais desapareceram. Tudo parado em nome do espírito olímpico?

Infelizmente, o mundo não é assim. O que move o mundo continua a ser a produção e o consumo de bens, a economia. E, neste aspecto, a crise continua a andar, desenrolando-se por baixo dos tapetes bem intencionados de banqueiros e industriais.

Um analista americano, analisando os dados, concluiu acertadamente que a produção industrial americana continuava a crescer, embora em ritmo mais lento que no ano passado. Mas o emprego e os salários diminuíram. Conclusão: a crise está vindo, mas quem está pagando por ela é justamente a classe operária. Sob este aspecto, nem Obama nem MaCain tem proposta ou solução alguma, fingem simplesmente que tal fato não acontece, enquanto se ocupam em xingamentos diversos.

A verdade é que a alta do preço do petróleo e de outros minerais, aliada a baixa do valor do dólar, cobrou o seu preço. A guerra do Iraque começou finalmente a ter algum prejuízo a menos, com o petróleo tendo dobrado de preço e a produção ter finalmente se estabilizado nos valores existentes imediatamente antes da guerra. Este novo fôlego permitiu que o dólar começasse a recuperar-se frente às outras moedas. Mas o fôlego é curto, e tudo o que se viu até agora é que o preço do petróleo diminuiu um pouco, provavelmente porque o pico da especulação já passou, mas os preços de produção – Iraque, poços cada vez em águas mais profundas – não diminuíram e o valor não vai diminuir, não vai voltar aos preços de antes da crise.

No Brasil, a situação caminha para que a crise também seja sentida. Os valores de remessa de lucro para o exterior e de retirada do capital especulativo da bolsa atingiram o seu pico nos últimos seis meses. A Bovespa, como todas as bolsas do mundo, caiu de valor, inclusive empresas que tiveram os seus ativos valorizados, como Petrobras e Vale do Rio Doce (produção de minerais). Apesar da alta de juros, continua aumentando o credito, na esteira da baixa de valor dos produtos industriais, enquanto o preço de moradia, de transporte e principalmente de comida continua a subir. Como se vê, não estamos em um caso clássico de “inflação”, mas de mudança dos valores relativos das diferentes mercadorias. Uma mercadoria, em particular, está perdendo valor: a força de trabalho. Como resultado geral da situação descrita anteriormente, morar, transportar-se, comer, ficou mais caro. E isto atinge pesadamente a classe operária, notadamente os seus segmentos mais pobres.

O resultado já começa a se ver: as greves aumentam. O governo Lula, rescaldado, agüentou algumas greves de servidores, mas conseguiu fazer acordos com a maioria, abrindo caminho para mais desqualificação no serviço público em troca de aumentos escalonados e de acordos nos quais as entidades sindicais se comprometem a defender “melhorias no atendimento ao publico, melhorias no desempenho dos servidores”. Sim, o governo garantiu sua tranqüilidade monetanea. No setor privado, as grandes categorias ainda aguardam as negociações salariais, particularmente os metalúrgicos. E a grande panela de pressão prepara-se para estourar, apesar de todos os furos que patrões e governo tentam colocar impedindo a força da classe cada vez mais oprimida de se manifestar.





Uma crise longa

13 03 2008

Uma crise longa

historia-da-moeda20.jpgEnquanto que em 1929 a queda dos preços de ações produziu um impacto que depois se espalhou pelo resto do mundo e da economia, a crise atual anda a passos de tartaruga, com os Bancos Centrais do mundo inteiro tentando conter a avalanche que chega com colchões cada vez mais ineficientes.

O Banco Central dos EUA anunciou na segunda-feira passada (10 de março de 2008) um crédito de 200 bilhões de dólares para “ajudar” os bancos. É engraçado. Enquanto que por conseqüência da crise, da queda do valor das casas nos EUA, queda de salários e desemprego dezenas de milhares de hipotecas são executadas (as chamadas sub-prime, sem garantia real) e famílias inteiras colocadas no olho da rua sem qualquer ajuda ou perdão, bilhões e bilhões de dólares de dinheiro público são usados para ajudar os pobres banqueiros que estão tendo prejuízo com a queda do valor de seus “ativos” bancários já que os pobres (estes de verdade) não estão conseguindo pagar suas casas.

Bush propôs e o congresso aprovou um pacote de devolução do imposto de renda com um valor total de 80 bilhões de dólares. Obama e Hillary – os dois candidatos que disputam a indicação para presidente pelo partido Democrata – tem um plano parecido. Enquanto eles pensam o que fazer para devolver dinheiro a quem pagou ao tesouro americano, o verdadeiro tesouro é gasto em “empréstimos” generosos feitos para os bancos! Ou seja, ajudar o pobre que não tem casa, tomando uma iniciativa como impedir a tomada de casa de quem não pode pagar e só tenha aquela residência, nisso ninguém fala (atenção – para aqueles que gostam de comparar, a lei no Brasil diz justamente isso!).currency-mixed.jpg

A verdade é que o mercado financeiro nos EUA foi desenvolvido a um ponto de saturação. E a um ponto em que o credor tem direito a tudo e o devedor nada. Falta pouco para se chegar na situação da Bíblia, onde o devedor era obrigado a se escravizar para pagar sua divida. Mas está quase lá. E o resultado? Um credito imenso, sem garantias reais e hoje ninguém pode pagar a conta.

A situação vai melhorar? Não parece, já que em fevereiro o governo dos EUA teve o maior déficit dos últimos anos. E, apesar de todos os empréstimos do Banco Central um dos maiores fundos (Carlyle capital) informou que não conseguiu chegar a um acordo com seus credores e tem 16 bilhões de dólares de dívidas não-cobertas.

Os economistas norte-americanos começam também a ter que reconhecer algo que já explicávamos antes neste espaço – os custos da guerra do Iraque (que já chegam a 3 trilhões de dólares, mais do que o PIB brasileiro) sem que se consiga lucro levaram a derrocada do dólar, a sua queda ou nas palavras imortais do nosso ministro da economia, ao “derretimento” do dólar.

O Euro abriu nesta manhã de quinta (13 de março de 2008) em valendo 1,56 dolares, o maior valor. O dólar está abaixo de 100 ienes. E o valor da onça de ouro chegou aos 1.000 dolares! Sim, o ministro Mantega está certo – o dólar…derreteu.

Ao contrário dos otimistas, isso não significa uma “queda” do imperialismo. O que assistiremos em pouco tempo será uma crise no mercado mundial, onde o dólar será deslocado da função de moeda mundial e outras moedas vão competir por esse lugar. Um cenário parecido com o que acontecia antes da II Guerra Mundial, onde cada pais (imperialista) busca impor a sua moeda como a moeda valida nas trocas. O Brasil antes de 45 negociava empréstimos e transações comerciais em franco, libra (principalmente), marco alemão e dólar. Agora, já vemos negociações entre Brasil e Argentina para se fazer a troca direta entre moedas, sem se fazer a intermediação do comercio em dólar. As vendas da Alemanha aumentaram no mês de fevereiro apesar (e, provavelmente por causa) da crise. O mundo continua a girar apesar do derretimento do dólar, mas o comercio vai sofrer um baque, os valores vão ficar defasados – e o aumento desenfreado do preço do petróleo tem a ver com isso, é o dólar que cai não é o petróleo que aumenta de valor.https://luizbicalho.files.wordpress.com/2008/03/moneybillscoins3.jpg

Nos últimos doze meses o preço médio do petróleo subiu 70% (de 62 dolares o barril para 110 dolares). Se contarmos desde 94, o preço do barril quase se multiplicou por dez, passando de 15 dolares para os atuais 110!

E paises com Brasil e China? Vão sofrer? A crise siquer começou e ela já se mostra: a China teve a maior inflação dos últimos anos, o seu superávit comercial caiu. O Brasil já tem 3 semanas de déficit comercial. Claro, a economia continua a girar, fabricas estão sendo construídas, o emprego aumenta. Até quando?

A queda do valor do dólar tem efeitos que ainda não foram medidos: a China acumulou reservas em dólar (investidos em títulos da divida norte-americana) no valor de mais de 1,5 trilhões de dólares. O Brasil um valor de 200 bilhões de dólares. O dólar está derretendo…e as reservas também. Enquanto isso, se a dívida externa liquida do Brasil é negativa (as reservas superam a divida), a divida interna vai muito bem, obrigado: chega a 1,4 trilhões de reais, quase um trilhão de dólares. E os juros continuam os maiores do mundo, com o BC brasileiro ameaçando aumenta-los para conter a inflação.

Ah, o problema é que a crise é mundial e receitas anteriores podem levar ao desespero: aumentar os juros podem levar a novamente o Real subir frente ao dólar e, com isso, maior déficit comercial…e o crescimento todo do Brasil pode ir para o abismo. O governo, confrontado, resolve tomar medidas tímidas: Cobrar IOF sobre o capital estrangeiro investido em títulos da divida (os brasileiros hoje pagam, os estrangeiros não) para impedir a vinda de mais dolares e, portanto, em teoria, pela falta de dólares o preço dele deve subir; não cobrar IOF dos exportadores e não obrigar o repatriamento do dólar assim que vender mercadorias no exterior. Essas medidas vão adiantar? Em principio, muito pouco. Como já explicamos é dólar que cai de valor e medidas pontuais (sem diminuir a taxa de juros) não vão alterar a situação. A queda do mercado mundial é exatamente isso: uma conseqüência mundial e não um “problema brasileiro”.trabalho-indsutrial-2.jpg

Existe uma solução? Existe, mas ela não passa por medidas “capitalistas”. A única solução real é expropriação dos meios de produção e a reversão da produção para as necessidades do povo. Enquanto tivermos o capitalismo, enquanto a busca do lucro for o motor da atividade econômica, cada crise e cada retomada só significarão mais choros e misérias em um futuro próximo. Ah, é difícil. Sim, mas ninguém disse que a estrada do paraíso era fácil. O que não é possível mais é aceitar este cotejo de misérias, onde para se resolver uma crise os de sempre são beneficiados: os banqueiros nos EUA e os exportadores no Brasil.





A crise chegou?

24 01 2008

A crise chegou?

Luiz Bicalho – janeiro/2008

No ano passado, durante uma das quedas da bolsa, o Presidente Lula anunciou que a crise não chegaria ao Brasil. Agora, em janeiro, os “analistas” de plantão nos principais jornais do mundo estão divididos, meio a meio, entre aqueles que acham que a crise não abalará as economias “emergentes”, como Brasil, India e China e aqueles que acham que os efeitos da crise serão menores nestes países. Ah, sim, todos concordam que a crise está chegando ou já chegou.

Se fossemos medir a vida diária pelos solavancos das bolsas de valores, a vida sofreria impactos violentos. Um dia a bolsa sobe, no outro dia cai mais ainda. Mas, existe uma tendência e a tendência é a queda dos valores das ações (a perda de valor na bolsa brasileira chega a 400 bilhões de reais, ou seja, 10 vezes mais que o governo arrecadaria com a tal da CPMF). Cada subida é seguida por uma queda maior, onde se misturam boatos, conversas, meias medidas, medidas inteiras tomadas por governos e banco centrais, onde tudo é cada vez mais volátil e nada é seguro. A melhor coisa que todos os analistas dizem aos clientes que compraram ações é “não venda”…e eles continuam vendendo. Mais de 4 bilhões de dólares de capital estrangeiro tinham saído da bolsa de valores de São Paulo no começo deste ano.

Simplificando o que dizem os analistas, para eles toda a origem da crise é o fato de que empréstimos feitos com poucas garantias para compra de casas nos EUA (e, atenção, este mesmo tipo de empréstimo foi feito na Europa) não foram pagos; Para garantir os bancos e investidores, estes emprestimos tinham sido empacotados pelos bancos e transformados em “fundos” que foram vendidos para outros bancos nos EUA e no mundo inteiro, ou seja, tomava-se dinheiro do mundo inteiro para emprestar aos compradores de casa nos EUA; tinham sido contratados seguros de bancos e empresas no caso dos empréstimos e dos fundos não serem pagos. E o problema, ainda segundo os analistas, é que as próprias seguradoras não conseguiram segurar a onda porque o numero de empréstimos não pagos foi alto demais.

Tudo isso é verdade? É. Mas este não é o único problema, o problema real é a forma como o capital vem sendo reproduzido, forma essa que é conseqüência do desenvolvimento do capitalismo e não pode ser mudada por ações de bancos centrais ou tomada de decisões de governos. Sim, olhar o obvio, como fazem todos estes analistas equivale a levantarmos de manhã, vermos as nuvens escuras e decretar: vai chover. Mas, no dia anterior, para saber o tempo no dia seguinte, os meteorologistas, armados com as teorias sobre a variação climática, escolhem e recebem os dados de satélites e estações de medição, tem que correlacionar estes dados com as teorias conhecidas sobre mudanças de tempo e então fazer uma previsão com uma determinada precisão: há 80% de chance de chover.

Na economia, poderia valer uma situação destas. Mas, aqueles que tem os dados, os economistas e banqueiros dos grandes bancos, dos bancos centrais, não tem o essencial: a teoria. E os que tem a teoria, por serem os combatentes mais renhidos contra o sistema, por saberem que o melhor guarda-chuva que nos protegerá das tempestades e furacões capitalistas é a luta encarniçada pelo socialismo, nunca conseguem todos os dados necessários. Assim, trabalhamos com o pouco que vem a tona durante as crises e com os dados soltos nos balanços e analises dos economistas burgueses.

E de onde partimos para buscar os dados? A começar que o sistema capitalista é movido pela busca do lucro, de aumentar a taxa de lucro, da competição entre os diferentes grupos e capitalistas nesta busca. Que o lucro advem da exploração da força de trabalho, do trabalho não pago (mais valia), que para ser realizado é necessário produzir e vender e, após a sua realização é distribuído – no lucro industrial, nos impostos, nos juros e dividendos pagos a bancos, etc. Esta é a base real sobre a qual se estrutura a economia e sobre a qual o desenvolvimento capitalista chegou a um estágio tal em que luta pelos dividendos e juros se torna brutal e é onde se concentra uma boa parte da competição capitalista.

Os analistas burgueses de plantão se perguntam quando a crise chega as bolsas: esta crise vai afetar a economia real? Ora, ora. Einstein dizia que o problema da ciência não é obter as respostas, mas saber fazer as perguntas. A pergunta real é: quais foram os acontecimentos na economia real que levaram a esta crise nas bolsas? E, a partir daí, quais as conseqüências?

A economia capitalista salvou-se da crise dos anos 20-30 do século XX fazendo a maior carnificina já vista pela humanidade: a II Guerra Mundial, onde disputaram os mercados os diferentes imperialistas, assim como disputaram o direito de invadir a URSS, destruir o estado operário e reconquistar este espaço para o capital. O resultado da guerra foi que o vencedor, os EUA, impuseram aos vencidos a sua moeda e o seu mercado. O dólar foi artificialmente ligado ao valor do ouro e todo o comercio mundial passou a ser feito em dólar. Ao fim da II Guerra os EUA produziam entre 40% a 50% dos bens mundiais.

Mas a guerra teve outra conseqüência. A revolta da classe operária levou a revolução operária a uma altura não vista antes. A ocupação do leste europeu pela exercito vermelho levou a expropiação do capital nestes países. A Revolução Chinesa muda a face da Ásia. Cuba faz uma revolução. E se a revolução não chegou aos países “ocidentais”, aos países imperialistas, isso se deu pela ação dos partidos comunistas e socialistas que frearam e impediram este desenvolvimento. A IV Internacional fundada por Trotsky revelou-se fraca demais – numérica e politicamente – para conseguir ajudar a impulsionar e concretizar estas revoluções. No final dos anos 50, inclusive com uma imensa propaganda e ação anti-comunista nos EUA (MacCarthy) a revolução tinha sido freada, mas não derrotada. A economia crescia a ritmos galopantes, reerguendo-se por cima dos escombros da II Guerra, reconstruindo com base em créditos governamentais garantidos pelo Tesouro dos EUA (que concentrava em suas mãos praticamente todo o ouro mundial), reconstruída na base das industrias de guerra animadas pela paranoia anti-comunista e pelas guerras reais que o imperialismo deflagrava no mundo para impedir o avanço da revolução – Coreia, Vietnã, Africa, Oriente Médio…

O capitalismo crescia novamente, em um estado de podridão como nunca havia feito antes, onde os pés de barro de um mercado financeiro que cada vez tomava ares maiores frente a produção real eram escondidos pelos números tronitantes da economia. Esse crescimento era, naturalmente, sentido pela classe operária que buscava lutar por seus direitos, que tinha conquistado imensos direitos quando a burguesia no final da guerra entregou os anéis para salvar os dedos e levou a revolução de 68 que percorreu o mundo como um jato de ar fresco, tanto no Oeste como no Leste europeu, na França e na Tchecoeslováquia. Novamente, a revolução foi derrotada com a ajuda dos partidos comunistas e socialistas, mas a economia do dólar começava a entrar em declínio. A produção reconstruída da Europa e do Japão já dava seus ares no mercado mundial e em 71 finalizava-se a paridade artificial ouro-dolar e em poucos anos o dólar desvalorizava-se a olhos vistos. De 30 dolares a onça (uma medida de peso) chegou hoje a quase 900 dolares, 35 anos depois do fim da paridade, uma multiplicação por 30! O dinheiro desvaloriza-se, a produção dos EUA hoje representa algo em torno de 25% da produção mundial. E o estalinismo conseguiu, enfim, destruir o estado operário e trazer o capitalismo de volta a URSS no inicio dos anos 90. Isso criou um novo fôlego ao capitalismo, fustigado pelas revoluções políticas no leste europeu durante os anos 80 e pela retomada das revoluções na America Latina, do qual a Venezuela é uma continuação algo atrasada.

A destruição do estado operário Russo, da URSS foi o maior desastre da história da humanidade. A expectativa de vida baixou bruscamente, a produção caiu mas…o lucro subiu. E para o capitalismo isso é tudo. A entrada do capitalismo na China, feita de uma forma “controlada” pela burocracia do PC Chinês, permitiu ao lado da destruição da URSS um novo fôlego a economia capitalista empodrecida com o crescimento realizado na forma de investimentos improdutivos – armas, drogas, prostituição – e na sustentação cada vez maior de um “mercado” de produtos “financeiros” onde o lucro parece estar descolado da produção.

O problema é que os investimentos reais, financiados por esta ciranda financeira, não deram os lucros esperados. A guerra do Afeganistão não conseguiu construir o gaseoduto gigante para exploração do gás natural existente nas republicas nascidas com o fim da URSS no sul da Russia. A invasão do Iraque não conseguiu retomar a produção de petróleo. E o crédito que foi feito pensando-se nos lucros de tais operações não foi pago. O resultado – uma crise que é contabilizada como “crise de crédito”, como se nada tivesse a ver com operações bem reais de investimento capitalista que não deram certo (pois a guerra é o melhor investimento quando se trata de conquistar mercados).

A crise chegou? Começou, embora não disponhamos de todos os dados para saber até onde vai. No momento em que escrevemos estas linhas o segundo maior banco francês Société Générale informou que uma fraude relacionada à atividade de um operador irá resultar em uma perda de 4,9 bilhões de euros (cerca de US$ 7,1 bilhões). O governo Frances declara que isso “nada tem a ver com a crise”. Mas no momento em que as perdas dos bancos concentram as crises, isso não levará a um aceleramento da crise?

Não temos e não podemos ter todas as respostas. Sabemos que o capitalismo sempre poderá achar novas saídas. O Brasil mostra isso – o crescimento econômico chegou a 5% o ano passado e a massa salarial cresceu 3%, ou seja, aumentou a parte devida a burguesia. Esta será sempre a saída capitalista – destruir uma parte, desempregar, aumentar a exploração. Num caminho sem volta em direção, não diretamente, mas numa espécie de espiral mal desenhada, com solavancos, em direção a barbárie, a destruição da civilização e da própria espécie humana que o chamado “aquecimento global” prenuncia. O remédio é amargo, mas deve ser menos amargo que a guerra do trafico que assolar os morros do Rio de Janeiro: é organizar a classe operária e fazer uma revolução que varra o capitalismo e seus males da face da terra.








%d blogueiros gostam disto: