Hillary no congresso – a nova política externa de Obama

22 04 2009

Novo governo, novos ventos. A viagem de Obama para a Europa e para a cúpula das Americas foi um sucesso. Paparicado por todos, paparicando outros, Obama declara que quer diminuir o arsenal nuclear, que quer um novo tempo onde as relações sejam de parceiros. Quase que distraidamente ele também explica que os EUA nesse novo tempo, com a parceria de todos, só quer “liderar” sem impor nada a ninguém. Legal, eu também quero liderar.

O problema é para aonde aponta a liderança de Obama. O depoimento de Hillary Clinton no congresso (22/04) mostra os rumos que o governo Obama quer tomar:

– Israel – exige que o Hamas reconheça o estado judeu como condição para participar de um governo palestino que seja sustentado pelos EUA. Esta declaração resume tudo – o governo palestino atual depende de verbas remetidas pelos EUA e pela União Europeia, diretamente ou indiretamente através de Israel. E como quem paga a banda escolhe a musica, não interessa em quem os palestinos votam – EUA e EU é quem escolhem o governo. Essa declaração brutal de Hillary mostra exatamente qual dialogo os EUA querem. Quanto a questionar os mais de 1.300 assassinatos durante a invasão da faixa de Gaza, quanto ao bloqueio de Israel e do Egito que impede que o material de reconstrução chegue a Gaza e que a economia possa fluir, sobre isto Hillary nada tem a dizer, porque esta é a sua política, levada a cabo por meio de terceiros.

– Cuba – Hillary declara que a era dos Castro está chegando ao fim e que os EUA devem se preparar para este fim. Muy amiga, muy amiga. Enquanto que Raul declara que quer conversar sobre tudo – e não estamos aqui avalizando a política de Raul Castro ou do Hamas, com os quais nada temos a ver – ela declara que se o nome é Castro deve finalizar. Que pretende levar a democracia e os direitos humanos para Cuba, que exige a libertação dos prisioneiros políticos. Interessante. Porque ela não liberta seus próprios prisioneiros políticos, a começar com os de Guatanamo e devolve a área para Cuba, porque lá permanecem ilegalmente e ninguém questiona? Porque ela não propõe revogar a mafaldada lei de segurança que permite a detenção ilegal de pessoas, que permite a escuta ilegal, tudo isso nos EUA, a “terra da democracia”? porque Obama não permite que se processem os torturadores da CIA e do Exercito, explicando que eles só “obedeciam ordens superiores”, quando este argumento foi detonado no julgamento de Nurenberg dos nazistas?

– Irã – novamente, a ameaça de voltar com o embargo comercial renovado e mais forte. Ora, ora. Francamente, não tenho nenhuma simpatia com o regime dos aiatolás, um regime despótico e ditatorial. Mas se tem algo que faça este regime parecer simpático é a forma como os EUA tratam. Os EUA boicotam a conferencia sobre racismo da ONU (assim que a declaração final estiver disponível faremos a analise dela) e armam o palco para o presidente do Irã. Depois tem o maior numero de armas nucleares do mundo e nunca questionaram as armas do Paquistão, da índia, de Israel. E agora questionam o direito do Irã de ter uma usina nuclear?

Realmente, os EUA querem somente “liderar”. Os outros tratem de segui-lo ou então….

Luiz Bicalho

luizbicalho@gmail.com

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Do Tribunal de Nuremberg à Anistia para a CIA

21 04 2009

Obama declarou recentemente que o governo dos EUA não tem intenção de processar os juristas que elaboraram os pareceres responsáveis pela legalização da tortura por membros da CIA e dos exercito dos EUA. Além disso, tem repetido diversas vezes a defesa, inclusive jurídica, dos torturadores da CIA.

Obama, é claro, declarou-se contra a tortura e a proibiu formalmente. Entretanto, como muitos, eu me lembro claramente do Tribunal que julgou os nazistas e de sua premissa fundamental: ordens, quando ilegais, não são desculpa para cometer crimes. Podemos ler o seguinte sobre a história do tribunal:

A defesa alegou ofensa ao princípio da legalidade acima mencionado. Também alegou-se a obediência a ordens superiores, afirmação repudiada posteriormente pelo tribunal, nas palavras do juiz Biddle: “os indivíduos têm deveres internacionais a cumprir, acima dos deveres nacionais que um Estado particular possa impor”. http://www.internext.com.br/valois/pena/1946.htm

“Nuremberg mostrou-nos o caminho, mostrou-nos que nos temos que construir um instituição internacional”, disse Henry T. King Jr., acusador de Nuremberg. “Vamos lutar para estabelecer aquela corte permanente, para dar às futuras gerações alguma coisa que eles possam utilizar para processar aqueles que apostam na guerra contra a humanidade.” http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1639

Ora, Ora. Agora Obama vem e declara a inocência de juristas e compromete-se a defender inclusive judicialmente os agentes da CIA e membros do Exercito processados por tortura e o seu argumento é justamente “estavam obedecendo ordens”. Quem diria. O argumento dos nazistas é agora o argumento de Obama. Muito marcante. Sobre julgar Bush e seu vice, então, nem pensar. Mas é justamente disso que se trata.

A hipocrisia que rege o direito moderno é flagrante no mundo inteiro. Quando se trata de defender o pobre, dificilmente se acham leis e “precedentes” jurídicos. Na imaginação popular, que segue aproximadamente a realidade da polícia, o ladrão de galinhas é preso enquanto aquele que rouba milhões se safa. Outro dia um colega de trabalho me contestava veementemente a prisão daquele financiador de campanhas de Minas e de sua tortura na prisão por outros prisioneiros. Este meu colega, entretanto, não raciocinava sobre a provação diária que passam milhares de pessoas, pobres, que não tem dinheiro para pagar um advogado que consiga um habeas corpus do Presidente do STF Gilmar Mendes. Só repetia que era errado o que fizeram com o financista. Sim, reconhecemos, torturar não é exatamente o que queremos como direitos humanos.

Então, porque quando sofrem milhares e milhares nas prisões nossas do dia a dia não conseguem a solidariedade e o pesar de todos? Porque este pesar, que se reflete no meu colega de trabalho, vai para um riquinho qualquer que teve o seu dia de pobre? Porque Obama de esmera em defender os torturadores da CIA e não consegue tirar das prisões os torturados? Afinal, o principal acusado dos ataques de 11 de setembro nos EUA foi torturado mais de 150 vezes antes de se confessar culpado.

Há uma velha piada sobre o BOPE. Foi feito um concurso de policias do mundo inteiro. Soltaram um coelho e o FBI recuperou o coelho em 1h. Soltaram novamente outro Coelho e a Scotland Yard recuperou o coelho em meia hora. Soltaram outro coelho e, 10 minutos depois, o BOPE apareceu com um porco que pingava sangue de todo o corpo e gritava desesperadamente: eu sou um coelho, eu sou um coelho.

Os presos dos EUA gritam desesperadamente – somos culpados. E, sabemos agora, foram torturados mais de 100 vezes para que fizessem isso. Sim, estes presos são mais resistentes que o porco da piada. Mas, sobre tortura, qualquer ser humano diz qualquer coisa. Poucos, muito poucos, os que resistem.

Obama chegou ao governo e disseram que tudo mudaria. A manutenção da prisão de Mumia Abuh Jamal, a manutenção das leis que permitem a investigação policial pelos sinais raciais e a anistia aos torturadores mostram exatamente de que lado ele está.

Luiz Bicalho





A crise e a eleição nos EUA: o fenomeno Barack Obama

6 02 2008

Os resultados da primária de terça passada (5/1/2008) mostraram que a burocracia do proprio partido democrata está se dividindo. Obama conquistou o apoio dos Kennedy e conseguiu ser vitorioso em mais estados que Hillary. Todas as noticias de jornal destacam o fato de Obama ser maioria entre os negros, os homens e os jovens. A burocracia da Central sindical (AFL-CIO) investe pesadamente em Hillary, que consegue o apoio dos empregados, dos hispanicos e das mulheres. Em termos gerais, a situação é a seguinte:

O democrata Barack Obama venceu na Geórgia, Illinois, Delaware, Alabama, Dakota do Norte, Kansas, Connecticut, Minnesota, Idaho, Colorado e Alasca. A também democrata Hillary Clinton teve o maior número de votos em Oklahoma, Arkansas, Tennessee, Nova York, Massachusetts, Nova Jersey, Missouri, Arizona e Califórnia.

Hyllary – 845

Obama – 765

Obama dando as costas durante um cumprimento entre Hyllary e o senador Kennedy

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O Jornal OESP destaca em seu site que Hyllary “segurou” Obama ao vencer em estados maiores como Nova York e Califórnia. Por outro lado, a vitoria de Obama em estados mais reacionários e racistas, como Alabama e Georgia, mostra que o eleitorado negro está se mobilizando para eleger “um dos seus”.

Nós já mostramos em artigo anterior que Obama não é exatamente “um irmão”, que no seu programa não se encontra nem a revogação da lei patriotica que permite a policia investigar ou prender alguém “pelos caracteres raciais”. Então, como Obama consegue esta façanha?

Claro que a cor …engana. A apresentadora de TV Oprah Winfrey, provavelmente a mulher negra mais famosa dos EUA (hoje) faz campanha para Obama. Afinal, nunca nos EUA um político negro conseguiu chegar nestes pincaros. Os negros de Bush, Condolezza e Colin Power não podem se comparar, Obama tem suas proprias ideias e batalha por elas, não é um “empregado” de outro branco. Então, Obama é livre, é o futuro e a esperança como ele se proclama? E porque os homens brancos, jovens, bem empregados estão apostando em Obama? E os mais pobres em Hillary?

Cumprimento entre Bush e Obama, no Congresso, após discurso de Bush

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Antes de tudo, a principal culpada é a burocracia da AFL-CIO que recusa-se a construir um partido de trabalhadores, um partido socialista e apresentar um candidato proprio da classe trabalhadora. A classe, sem um alternativa que a represente, busca nos diversos candidatos da burguesia pontos de apoio para seus interesses.

E a situação da classe trabalhadora nos EUA não vai nada bem. Nos ultimos 30 anos, a economia dos EUA cresceu, a produção cresceu, a riqueza cresceu…mas quem ficou com tudo isso foram os mais ricos, já que a sua renda cresceu junto e…desceu a renda dos 50% mais pobres dos EUA. Além disso, os “investimentos” nas guerras do Iraque e Afagnistão não deram os resultados esperados e o dolar começou a cair de valor. Segundo muitos economistas, isso é bom para os EUA, já que ai eles vão exportar mais e importar menos. Sim, e quem vai “pagar por isso”?

Durante a ultima decada cresceu de maneira desmesurada o crédito nos EUA (fenomeno que também chega aqui nas costas brasileiras, em outras formas). E a classe sobrevivia de crédito, em particular das hipotecas de casas. Algumas casas eram hipotecadas duas ou tres vezes. Uma economista se surprende com uma questão, que agora os americanos estão deixando de pagar hipotecas (as casas) e preferem pagar o cartão de crédito. O problema é que as casas foram subindo de valor, em uma espiral especulativa, acima do seu valor real e, agora, cairam. O resultado, deve-se mais que o valor do bem, então é melhor ir para outra casa, porque pagar acima do que a casa vale, ninguem merece…

O resultado desta situação, repetida milhares, dezenas de milhares de vezes, é que os créditos (ditos sub-prime, que não tinham garantias reais) começaram a não ser pagos. Casas maiores também começaram a ser abandonadas ou então a ser “renegociadas”. E os bancos e financiadores começaram a ter quedas nos seus “lucros” ou até a terem prejuizos. Isso, somado a que estes debitos, que eram avaliados como de “alto risco”, sofreram uma pequena “transmutação”. Os bancos, para se garantirem, empacotaram milhares de créditos, transformaram isso em uma “aplicação” em que todos podiam “investir” seu dinheiro e venderam o produto “empacotado” para outros bancos e seguradoras no mundo inteiro…ou seja, espalharam a crise pelo mundo.

E as bolsas, no começo de 2008, parecem enlouquecidas. Cada nova notícia é saudada ora com uma euforia e as bolsas sobem e todos os analistas correm a explicar que “agora a crise foi debelada” ou, o que é mais frequente, uma noticia ruim (como a de ontem que o setor de serviços nos EUA caiu de produção, inclusive os “serviços industriais”, ou seja, aquela parte de terceirização nas fabricas) leva a novas quedas nas bolsas (ontem a bolsa dos EUA bateu record no seu nivel de queda). O mercado de trabalho encolheu.

Obama sentiu esta maré. E apresenta um programa que remonta a Kennedy e, mais propriamente, a Rosevelt e a seu programa de reabilitação da economia dos EUA, com protecionismo e uma nova aliança “capital-trabalho”. Esta é a força de sua candidatura, da “esperança” que ele apresenta. É possível esta nova retomada dos EUA?

Lembremos que a crise de 29 começou em situação parecida, só não tinhamos um candidato negro que “representasse a esperança”. A crise teve repercussões profundas no mundo – a revolução no Brasil que levou Vargas ao poder, a tomada do poder na Alemanha pelos Nazistas, a guerra civil espanhola e, 10 anos depois, a II Guerra mundial.

Ontem, os jornais noticiaram que a Europa vetou o comercio de carne do Brasil. As exportações brasileiras cairam no primeiro mes do ano. Sintomas da queda do comercio geral? O que sabemos é que o mercado caminho no rumo de uma ruptura, sem que possamos dizer quando. Qualquer que seja o resultado das eleições nos EUA, qualquer que seja o presidente eleito, todos sabem que os EUA pretendem jogar a crise nas costas dos outros para manter tudo funcionando. O problema é que o “mercado” tem suas leis próprias e esta tentativa só faz aumentar o rumo ao caos. Somente a organização da classe operária e a reorganização da sociedade e da produção pode evitar este caos.





Obama e o voto Negro

28 01 2008

A manchete do site da Uol não deixava duvidas sobre o resultado do voto em Barack Obama no estado da Carolina do Sul, estado majoritariamente negro:

Barack Obama vence na Carolina do Sul graças ao voto negro

O senador Barack Obama venceu hoje por uma ampla vantagem nas primárias do partido democrata em Carolina do Sul, onde recebeu o dobro dos votos da senadora Hillary Clinton, graças ao esmagador apoio dos negros. Obama conquistou 55% dos votos, o dobro da ex-primeira-dama, que obteve 27%, e muito acima dos 18% do ex-senador John Edwards.
O fato de metade dos cidadãos que foram votar ser afro-americana, segundo as pesquisas de boca-de-urna, poderia ter ajudado o senador a vencer esta disputa, na qual houve uma grande polarização racial dos eleitores.De fato, oito de cada dez eleitores afro-americanos que compareceram às urnas votaram em Obama, enquanto apenas dois escolheram a ex-primeira-dama dos Estados Unidos.Mas, como analisamos em nosso outro artigo sobre Obama (quem é barack obama:https://luizbicalho.wordpress.com/2008/01/08/quem-e-barack-obama/) Obama não é um candidato dos pobres, dos negros ou dos trabalhadores. Obama, pelo contrário deixou claro qual o significado que tem para ele o voto negro:

Em sua primeira aparição pública após obter a vitória, Obama tentou, segundo os analistas políticos, amenizar a tensão racial que houve na campanha nos últimos dias, e evitar, portanto, que seja considerado “o candidato dos afro-americanos”, o que poderia prejudicá-lo no resto do país.

“Nestas eleições não se trata de escolher segundo a região de cada um, a religião ou o gênero. Não se trata de ricos contra pobres, jovens contra velhos, nem brancos contra negros. Trata-se (de uma batalha) do passado contra o futuro”, disse publicamente.

“Estive vários dias viajando pelo estado, e eu não vi uma Carolina do Sul branca e outra negra. Vi uma só Carolina do Sul”, afirmou.

A população negra, o povo trabalhador dos EUA precisam sim de um candidato que os represente. Os movimentos negros, os sindicatos, correm para o Partido Democrata e distribuem seus votos entre Obama e Hillary Clinton. Os sindicatos, em particular, despejam rios de dinheiro tentando que um dos dois seja vitorioso e depois mais rios de dinheiro para que o Partido Democrata supere o Partido Republicano. E tudo continua com dantes no quartel de Abrantes. O que a classe operária necessita, o que o povo negro, o povo latino que habitam os EUA necessitam é de um candidato que represente estes interesses, um candidato que se apresente com uma plataforma socialista para superar a crise atual.

Sim, porque Obama tentará um novo “pacto social” em que alguns anéis sejam entregues para salvar os bilhões e bilhões, os trilhões de dolares dos riquinhos como Bill Gates que estão em perigo com a recessão que está chegando. Agora, se a recessão vai tirar alguns bilhões de Gates, ela vai eliminar milhões de empregos, vai matar mais pobres de fome, de doenças, de miséria…nos EUA! a nação mais rica do planeta, que produz e consome 25% do PIB mundial vai ver parte do seu povo morrer …de fome! é o maior escandalo que só oc capitalismo pode produzir. Enquanto agricultores ganham para não produzir o povo morre de fome. Enquanto os estoques de petroleo nos EUA bastam para o consumo de mais de um ano, pobres vão morrer de frio por não ter aquecimento. E Obama propõe resolver isso? o seu programa não mostra isso e, mais que isso, quando ele deixa claro que quer governar “para todos” já sabemos o resultado: governará para os ricos.

A saida é outra e passa por um combate em cada sindicato para que a Central sindical crie um partido e um candidato que possa se apresentar em nome da classe operária para mudar este pais e para mudar o mundo.





Quem é Barack Obama?

8 01 2008

Quem é Barack Obama
As eleições nos EUA presidenciais nos EUA começam com a definição de candidatos pelos partidos Democratas e Republicanos (os dois maiores partidos burgueses). O partido democrata, que conseguiu uma vitória parlamentar nas ultimas eleições (fez maioria na Câmara dos deputados, que se renova de dois em dois anos nos EUA), tem chances de chegar a Presidência. Dois de seus candidatos desafiam a lógica até hoje existente na política dos EUA: uma mulher (Hylarry Clinton) e um negro (mestiço, na realidade): Barack Obama. A candidatura de Obama parece crescer e atingir níveis de participação popular, segundo os grandes jornais. Mas, o que defende na realidade o Sr. Obama?
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Obama tem um site (www.barackobma.com) onde expõe suas propostas:
Sobre o Iraque: Obama declara-se contra a guerra e propõe a retirada das tropas em 16 meses. Propõe fechar a base de Guatanamo.
Irã – Se o Irã abandonar seus programas nucleares, nós ofereceremos incentivos para melhorar o comercio, investimentos econômicos e relações diplomáticas normais. Se não, aumentaremos a pressão econômica e o isolamento político.
Relações Internacionais – Os EUA devem liderar, liderar a luta contra contra os programas nucleares do Irã e Coréia do Norte e contra o terrorismo. Ampliar o tratado de não proliferação de armas nucleares, para aumentar as sanções a Coréia do Norte e Irã. Aumentar a presença diplomática (consulados), particularmente na África. Ajudar os estados mais fracos a reduzir a pobreza, a desenvolver seus mercados. Dar aos comandantes das tropas da ONU mais “flexibilidade”. Aumentará os investimentos para modernizar as forças armadas dos EUA. Aumentará em mais 65 mil os efetivos do exercito e em 27 mil os de fuzileiros.
Israel – Trabalhará por dois estados – Israel e Palestino.
Imigração: Obama propõe aumentar a segurança das fronteiras (leia-se – aumentar a repressão contra a entrada de imigrantes ilegais). Propõe além disso que se punam os empregadores que dão emprego a imigrantes ilegais. Que se aumente as oportunidades de imigração legal (não explicita como). Que se promova o desenvolvimento econômico do México para evitar a imigração (também não explicado). Propõe aumentar a velocidade e a capacidade do FMI de checagem dos ilegais.
Economia – Diminuir impostos pagos pelos pobres e pela classe média. No comercio Internacional, preservar os empregos americanos. Acordos comerciais que abram o mercado para os bons produtos americanos. Pressionará a OMC para que os paises acabem com subsídios ou outras barreiras contra as exportações americanas. Defende o NAFTA. Melhorar as condições e a requalificação dos trabalhadores demitidos.Mais créditos para o desenvolvimento de energia renovável. Liberdade Sindical, sem intimidação pelos empregadores.Defende o direito de greve. Aumento do Salário Mínimo. Criação de um sistema de avaliação dos cartões de crédito. Isentar da declaração de falência as famílias que provarem terem chegado a esta condição em virtude de despesas médicas. Fornecer um crédito fiscal a Empresas que mantenham suas matrizes nos EUA, que aumente o numero de seus empregados nos EUA, que forneça seguro saúde, aposentadoria e também que dê sustento aos empregados que servem as forças armadas.
Saúde – criar um novo seguro saúde nacional. Aumentar concorrência entre produtoras de remédios. Incentivar medicamentos genéricos.
Aposentadoria – As leis atuais de falência protegem os bancos antes dos trabalhadores. Obama propõe-se a inverter isso, a colocar os aposentados no primeiro lugar da lista de credores. É contra privatizar (ainda mais) a previdência. .
Estes são os principais pontos encontrados no seu site, sobre o seu programa. Antes de comentarmos o que eles dizem, notemos que o que ele não diz: a revogação do Ato Patriótico, aquela lei dos EUA que permite a prisão sem provas, sem assistência legal, a lei que permite a polícia investigar por “caracteres raciais”, reintroduzida após ter sido derrubada nas revoltas negras do final dos anos 50 e início dos anos 60.
Obama faz o seu discurso na primeira primária – Estado de Iowa – onde ele explica que precisamos unir novamente a América, que não podemos aceitar a divisão entre estados republicanos e democratas. Obama propõe-se a aumentar os impostos para as empresas que transfiram fábricas para o exterior, que propõe desenvolver novas formas de energia para combater as empresas petrolíferas, que traga as tropas do Iraque de volta para casa e que una a América e o mundo no combate ao terrorismo e as armas nucleares.
Unir a América. Patriotismo. Combater as grandes corporações e manter o sistema. Garantir direitos trabalhistas e dos sindicatos. Se olharmos na história, num momento de grande crise, houve um presidente americano que também assim se dirigiu ao povo americano: Rosevelt. Olhando o discurso, pode-se perguntar: porque nenhum analista não fez esta comparação? Mas Obama é um pouco mais que isso. Obama, no seu discurso para um sindicato de metalúrgicos relembra que ele apoiou a greve dos metalúrgicos. E que já disseram que “o que é bom para a GM, é bom para os EUA”, agora é hora de dizer “o que é bom para os sindicatos, é bom para os EUA”.
A verdade é que todos eles tem medo do que esta comparação significa: será que a crise chegou e a saída é outro Rosevelt? E lembremos, não há no discurso de Obama nenhuma “liberdade” que possa-se defender. Aumento das verbas para Forças Armadas, aumento do efetivo das Forças Armadas, aumento do controle das fronteiras, mais verbas para o FBI. Nem uma palavra sobre o Ato Patriótico.
A crise econômica está chegando e pode ser que uma alternativa que a burguesia americana se dê é tentar construir outro “grande acordo” a la Rosevelt. Mas, existem as condições para tal? O mundo mudou desde 1930, não existe o estalismo como a grande barreira que impeçam as massas de correr rumo a revolução. Por outro lado, as forças do marxismo estão bem fracas, ao final destes 70 anos de luta. A reconstrução que se faz, se faz lentamente, embora com alguns saltos, tanto positivos como negativos. Nós mantemos a confiança que a classe trabalhadora, inclusive nos momentos difíceis que estão chegando – e todo trabalhador americano que está perdendo emprego sabe o que isso significa – e temos certeza que os trabalhadores saberão resolver seus próprios problemas. Muito provavelmente passarão pela experiência de ter um negro (mestiço, para os nossos padrões) na Presidência, passarão por um presidente que promete muitas coisas e fará várias delas. Por um presidente que continuará a defender o capitalismo (unir todos, o que inclui a burguesia), um capitalismo mais humano que não tem condições de existir e que se revelerá ao fim e ao cabo tão brutal quanto o outro. Um presidente que defende uma política externa que leva os EUA de volta ao terreno da ONU, para dar mais “liberdade” aos comandantes da ONU, para aumentar as forças armadas, “re-equipa-las”. Um presidente que diz defender a liberdade sindical, o direito de greve e os direitos civis e nada fala do ato patriótico.
Não, não serão tempos fáceis, mas a classe saberá encontrar seus caminhos e armar-se para a sua vitória em um futuro próximo.
Luiz Bicalho








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