A nova face do Imperialismo USA – Obama

1 08 2008

A nova face do Imperialismo USA – Obama
Iraque, Afeganistão, Israel

Durante a disputa pela indicação do Partido Democrata a Presidência, muitos dos que se declaram “a esquerda” no Brasil e no mundo começaram a torcer pela vitória de Obama. Muitos que participam do movimento negro, estes mais que outros, enxergavam em Obama a “mudança”. A recente viagem de Obama e suas declarações permitem que se atualize uma analise das propostas do Senador e de suas propostas.
Em Israel, Obama reafirmou as posições tradicionais do Imperialismo USA:
Eu continuo dizendo que Jerusalém será a capital de Israel.
Eu disse isso antes e torno a dizer, mas eu também observei que isso é uma questão a ser decidida por meio de negociações”, declarou Obama (http://www.estadao.com.br/internacional/not_int210664,0.htm – 23/06/08)
Explicando: a posição de Israel de que Jerusalém é a sua capital oficializa a expulsão dos palestinos desta cidade. Mas Obama foi muito além disso:
“Estou aqui nesta viagem para reafirmar a relação especial entre Israel e os EUA, ao manter o compromisso com sua segurança, e a minha esperança de que eu possa servir como um parceiro efetivo, seja como senador ou presidente, para trazer uma paz mais duradoura à região” (http://www.estadao.com.br/internacional/not_int210604,0.htm )
Em encontro com o presidente de Israel, Shimon Peres, Obama disse que Israel é “um milagre que floresceu” desde sua criação, há 60 anos. Mais tarde, usando um solidéu, ele depositou flores brancas no memorial do Holocausto Yad Vashem.
“Que nossos filhos venham aqui e conheçam esta história, para que possam somar suas vozes aos que proclamam ‘nunca mais”‘, escreveu Obama no livro de visitantes do museu.
(http://www.estadao.com.br/internacional/not_int210594,0.htm )
A Esquerda Marxista (www.marxismo.org.br) destacou em matéria publicada recentemente sobre a questão palestina o significado do Estado de Israel e sua importância para o Imperialismo USA:
Os EUA sustentam fortemente a guerra de extermínio do Estado Sionista de Israel contra o povo palestino, mas a resistência impressionante deste povo impede qualquer estabilização duradoura. A traição dos dirigentes palestinos que caucionaram os Acordos de Oslo só pode conduzir ao desastre. Eles criaram a atual situação onde Hammas e Fatah iniciaram, pela primeira vez, uma guerra civil entre os próprios palestinos. Abu Mazen é um agente político do imperialismo dentro da Palestina e o Hammas, alentado durante anos por Israel para enfraquecer o Fatah e toda a OLP, é um partido reacionário cuja única perspectiva para o povo palestino é afundá-lo na barbárie do estado integrista religioso. O Estado Islâmico proposto por Hammas é a versão simétrica do Estado Sionista de Israel. A guerra entre Hammas e Fatah é uma guerra contra o povo palestino e o apoio dos marxistas a qualquer um dos dois seria um crime contra o povo palestino e a luta pelo socialismo.

Não há solução para a questão Palestina sem o direito de retorno dos milhões de refugiados, sem a constituição de um só Estado sobre todo o território histórico da Palestina onde possam conviver em paz todos os povos da região, independentemente de sua religião, ou origem, sejam judeus, muçulmanos, cristão, etc.

E esta solução, como demonstra a Teoria da Revolução Permanente, só pode ser realizada pela revolução socialista na Palestina e na região. (http://www.marxismo.org.br/index.php?pg=artigos_detalhar&artigo=179 )
As declarações de Obama mostram que ele está plenamente afinado com esta política, com toda a política de ataque ao povo palestino. Então como dizer que Obama tem algo a ver com a esquerda, com a defesa com qualquer direito dos povos?
Mas em sua viagem Obama não falou somente sobre Israel. Ele explicou qual deve ser a política do imperialismo de “combate ao terrorismo”:
A respeito do Afeganistão, o candidato descreveu a situação daquele país como “precária e urgente”, dizendo ainda que a rede Al Qaeda e o Talibã planejavam realizar mais ataques contra os EUA.
“No Afeganistão e na região de fronteira com o Paquistão, a Al Qaeda e o Talibã organizam uma ofensiva cada vez mais intensa contra a segurança do povo afegão e do povo paquistanês ao mesmo tempo em que planejam a realização de ataques contra os EUA”, disse o candidato.
Obama realiza uma viagem internacional e, como parte dessa viagem, visitou o Afeganistão no fim de semana. O democrata descreveu esse país como a “frente central da guerra contra o terrorismo”.
“Estou satisfeito com o fato de que há um consenso cada vez maior nos EUA sobre o fato de que precisamos dar mais atenção ao Afeganistão. Não deveríamos esperar mais tempo para intensificar nossos esforços”, acrescentou.
(http://www.estadao.com.br/internacional/not_int210091,0.htm )
Obama ressaltou que seu objetivo é não ter mais tropas americanas engajadas em operações de combate no Iraque. Ele ainda voltou a descrever a situação no Afeganistão como “precária e urgente”, dizendo que a Al-Qaeda e o Taleban planejam mais ataques contra os EUA. “No Afeganistão e na região da fronteira com o Paquistão, a Al-Qaeda e o Taleban ampliam cada vez mais sua ofensiva contra a segurança o povo afegão e paquistanês, enquanto planejam novos ataques contra os EUA”, afirmou. (http://www.estadao.com.br/internacional/not_int210025,0.htm )
“Temos que entender que a situação é precária e urgente aqui no Afeganistão e acho que este deve ser o objetivo central, a frente primordial, em nossa batalha contra o terrorismo”, eclarou o senador, que se reuniu também com comandantes militares americanos na região.
Obama quer enviar duas brigadas adicionais – aproximadamente sete mil soldados – ao Afeganistão. “Existe um consenso crescente de que é o momento de retirar algumas de nossas tropas de combate do Iraque, desdobrá-las no Afeganistão (…). Agora é o momento de fazer isso”, apontou.
O candidato também falou da necessidade de o Paquistão adotar medidas mais contundentes contra campos de treinamento para terroristas na fronteira com o Afeganistão.
“Acho que o Governo americano oferece uma quantidade de ajuda enorme ao Paquistão, um grande respaldo militar”, disse Obama. O democrata ressaltou que é necessário enviar “uma mensagem clara” ao Paquistão de que a luta antiterrorista é tão importante para eles como para os Estados Unidos.
(http://www.estadao.com.br/internacional/not_int209195,0.htm )
Como podemos ver, Obama quer continuar a política do imperialismo de “combate ao terrorismo”, mudando o foque do Iraque para o Afeganistão. Lembramos que esta não é uma “novidade” que apareceu após a vitória de Obama no Partido Democrata mas a expressão concentrada de uma política que aparecia no seu site e que analisamos em janeiro
(Quem é Barack Obama – https://luizbicalho.wordpress.com/2008/01/08/quem-e-barack-obama/ )
Sobre o Iraque: Obama declara-se contra a guerra e propõe a retirada das tropas em 16 meses. Propõe fechar a base de Guatanamo.
Irã – Se o Irã abandonar seus programas nucleares, nós ofereceremos incentivos para melhorar o comercio, investimentos econômicos e relações diplomáticas normais. Se não, aumentaremos a pressão econômica e o isolamento político.
Relações Internacionais – Os EUA devem liderar, liderar a luta contra contra os programas nucleares do Irã e Coréia do Norte e contra o terrorismo. Ampliar o tratado de não proliferação de armas nucleares, para aumentar as sanções a Coréia do Norte e Irã. Aumentar a presença diplomática (consulados), particularmente na África. Ajudar os estados mais fracos a reduzir a pobreza, a desenvolver seus mercados. Dar aos comandantes das tropas da ONU mais “flexibilidade”. Aumentará os investimentos para modernizar as forças armadas dos EUA. Aumentará em mais 65 mil os efetivos do exercito e em 27 mil os de fuzileiros.
Israel – Trabalhará por dois estados – Israel e Palestino.
Ou seja, as declarações atuais de Obama não são um “raio em um céu azul”, mas são previsíveis a partir do seu programa. É de ressaltar que o desnudamento desta política vem desanimando seus seguidores e sua campanha, tendo como resultado que a diferença nas pesquisas entre Obama e MacCain (o candidato republicano) começa a cair. Obama será o vencedor?
A verdade é que a burguesia americana encontra-se profundamente dividida e a divisão entre os dois candidatos mostram alguma linhas de clivagem sobre o que deve ser feito no futuro: continuar ou não no Iraque (o aumento dos preços do petróleo, aliado a queda do dólar, tem como efeito diminuir o “prejuízo” com a invasão), aplicar uma política de “apoio” aos trabalhadores (leia-se, voltar a defender o “contrato social” que tem uma garantia mínima de emprego para os trabalhadores das industrias tradicionais) ou continuar a “globalização” (o deslocamento de empresas e empregos para outros paises), manter o papel tradicional dos EUA no emprego de tropas ou “moderniza-las”.
O pano de fundo de tudo isso é a crise que não dá sinais que acabará tão cedo, apesar dos esforços desesperados para tal. O mercado mundial caminha na direção de um deslocamento e o aumento dos preços do petróleo, das matérias primas e dos alimentos, aliado a queda dos preços das mercadorias de alta tecnologia mostram isso. Qual a solução? Se a classe trabalhadora, através de seu combate, não conseguir abrir caminho em direção a revolução na crise que se abre, a solução para será sempre um passo a mais em direção a barbárie capitalista. A divisão que se expressa na burguesia americana é exatamente a divisão de qual a melhor forma de combater contra os trabalhadores, contra a sua organização, contra a revolução proletária. Os marxistas analisam estes movimentos a nível mundial e se organizam para ajudar os trabalhadores a combate-los, ajudando a fazer nascer a revolução que poderá dar fim a estes tormentos cada vez maiores.








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