Os negros, Obama e Martin Luther King

1 04 2008

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Eu tenho um sonhoMartin Luther King

Traidores de sua própria raçaMagneto no filme X-men 3, conflito final

Em 1963 Martin Luther King escreveu um discurso que se tornou famoso e se tornou, de determinada forma, a representação do combate do movimento negro. Claro está que King escrevia este discurso no começo de um movimento que ainda não tinha atingido o seu auge, que preparava a revolução de 1968 que varreu o mundo inteiro. Havia uma disputa interna no movimento negro, Malcon X aparecia no mundo e o partido dos Panteras Negras começava a se gestar. E King discursava contra a violência, não so a violência do estado contra os negros, dos racistas contra os negros, mas a própria violência da auto-defesa que os Panteras Negras viriam consagrar.

Para podermos entender o que Obama hoje propõe e como o que ele propõe é algo muito diferente do que falava King, pegamos aqui alguns trechos do discurso de King e depois do discurso de Obama para que todos possam verificar estas diferenças. O discurso de King pode ser encontrada em http://www.dhnet.org.br/desejos/sonhos/dream.htm.

O discurso de Obama pode ser encontrado no site

http://www.boston.com/news/politics/politicalintelligence/2008/03/obama_calls_for.html.

King começa o seu discurso explicando a situação dos negros, situação que não se modificou muito hoje, basta ver os resultados do furacao Katrina, que deixou desabrigados ou moradores em trailer majoritariamente negros ou o fato da policia ter sido autorizada por uma secretaria (negra) da justiça a utilizar critérios raciais na investigação policial:

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.

Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra.

É uma verdade que até hoje se mantem. Mais de um terço dos homens negros entre 20 e 30 anos encontra-se na cadeia. Os bairros negros tem escolas e hospitais piores que os outros. A política de cotas só levou a que alguns privilegiados – como Condolezza Rice e o general Colin Power – ascendessem, enquanto a grande maioria continua no mesmo estado de miséria. King alertava para esta situação ainda em 1963 (e já fazem 45 anos) e explicava:

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

King foi assassinado em 04 de abril de 1968, 5 anos depois de seu famoso discurso. Este anos fará 40 anos do seu assassinato e o “gradualismo” que ele criticava tornou-se a política dominante. Após o assassinato de King o FBI organizou, junto com a Máfia, o desmonte do partido dos Panteras Negras (que eram rivais políticos de King). Em outras palavras, as duas ações foram feitas com o objetivo de destruir o ativismo e o movimento negro que se organizou durante o movimento pelos direitos civis dos negros, movimento que se iniciou em 1955 e ampliou-se com a resistencia a guerra do Vietnã e atingiu o seu auge na revolução de 1968 que varreu o mundo inteiro (voltaremos a esta revolução, a greve geral da França, a revolução na Tchecolosvaquia e a passeata dos 100 mil no Brasil).40 anos depois…o que temos? Temos as Condolezza e os Collin Power, temos Barak Obama. E os negros continuam, apesar de todas as políticas “gradualistas” das chamadas cotas raciais, política que foi inventada e disseminada nos EUA e no mundo pela Fundação Ford que paga pesquisadores, universidades, institutos de pesquisa e unversidades para defender as cotas. Conseguiram? Conseguiram fazer alguns pequenos e médios burgueses, burocratas que se sobressaem. Mas a grande maioria continuou como sempre, na miséria e na segregação.

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E agora, o que propõe Barak Obama? Leiamos as suas propostas e vejamos que ele exatamente está querendo “descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo

”:Esse foi um dos objetivos estabelecidos no início desta campanha – continuar a longa marcha daqueles que vieram antes de nós, a marcha pelos Estados Unidos mais justos, mais iguais, mais livres, mais acolhedores e mais prósperos

Sim, continuar a longa marcha e enquanto isso os negros morrem como soldados rasos nas guerras do Afagenistao e do Iraque, morrem a cada dia na miséria que o furacao Katrina mostrou, morrem a cada dia nas prisões onde a maioria de presos é de negros. E Obama, que é esperto, propõe-se a imediata retirada das tropas e repisa isso a cada minuto, inclusive neste discurso:

Dessa vez queremos falar sobre os homens e as mulheres de todas as cores e credos que servem juntos, que lutam juntos, que sangram juntos sob a mesma bandeira orgulhosa. Queremos falar sobre como trazê-los de volta para casa de uma guerra que nunca deveria ter sido autorizada, que nunca deveria ter sido lutada; queremos falar sobre como demonstrar patriotismo cuidando deles e de suas famílias, dando a eles os benefícios que conquistaram.

Esta é a força de sua candidatura, que pega uma questão que a maioria dos trabalhadores e jovens americanos rejeitam, a guerra do Iraque, e baseada nesta situação ele pode falar o que quiser, da forma que quiser, apelando inclusive para o velho nacionalismo ianque. Não é atoa que a sua plataforma propõe aumentar o numero de efetivos do Exercito, dos fuzileiros, que aumente as verbas para as forças armadas em todos os seus aspectos, que se aumente a verba para o FBI, para a segurança das fronteiras.

Agora, Obama se propõe a fazer um discurso no dia da morte de King. Poderíamos esperar algo novo? Não parece ser este o caso. Obama quer ignorar a questão central do racismo nos EUA: a miséria em que vive a maioria negra.

É verdade que a implantação da cotas raciais serviram para produzir uma “elite negra”, uma Condolezza Rice e um Colin Power. Mas a grande maioria vive e morre nos trailer e nos bairros negros, a grande maioria sofre a discriminação que o pastor de Obama denunciou recentemente, a grande maioria ainda espera para acha que “ Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo”King quando escreveu o seu discurso pedia que os negros tivessem calma e não se deixassem levar pelo radicalismo, pela violência. Mas King, por mais “pacifico” que fosse não pedia aos negros para esperar mais 100 anos.

E hoje, 45 anos depois do seu discurso, quantos anos ainda os Obama da vida querem que os negros esperem para serem iguais?

Os ventos da crise

A crise econômica atinge os EUA e o mundo. Mas, como em toda crise, se perdem os ricos, se eles choram seus bilhões perdidos, perdem mais os pobres que não perderam bilhões mas estão perdendo suas casas a cada dia que tanto sacrifício fizeram para comprar. E a crise atinge mais os mais pobres e nos EUA, mais pobre é sinônimo de negro. Enquanto aqui em favelas temos brancos e negros, nos EUA a maioria das favelas é de negros. Os negros são minoria, mas são maioria nas prisões.

A grande nação americana se construiu em cima dos cadáveres do índios que mortos foram e a maioria mortos estão e em cima do trabalho escravo e depois da libertação dos escravos em cima do trabalho mal pago dos negros. E quando acontece uma catástrofe se vê até na TV: no desastre do furacao Katrina, em Nova Orleans, o que sobraram para traz foram justamente os negros. E quando voltaram e não tiveram dinheiro para reconstruir suas casas, os bairros que não foram reconstruídos, foram justamente as casas e os bairros dos negros. E agora Obama vem dizer que existe um problema racial e que isso vai ser resolvido em uma “longa marcha”. Quanto tempo mais até que esta longa marcha chegue em um lugar onde todos possam viver juntos, com os mesmos direitos e as mesmas condições?

Os EUA produziram e produzem a maior parte da riqueza do mundo. O seu capitalismo produziu riquezas e maravilhas que nunca o mundo tinha visto antes. E também produziram miséria, morte e destruição que nunca o mundo viu antes. E cada vez mais o seu caminho e o caminho da desigualdade. Afinal, que tem de comum o negro que perdeu sua casa no desastre do furacao Katrina, o operário que perde sua casa porque perdeu o emprego e não pode pagar o financiamento e o Bill Gates que constrói uma mansão com mais de 250 quartos?Só uma coisa: todos são resultado da mesma exploração capitalista. So que um explora os outros dois, na verdade explora milhares como estes outros dois e constrói sua casa de 250 quartos enquanto que os outros dois são explorados.

Sim, nos queremos a união dos brancos pobres e dos negros pobres. Mas antes de tudo queremos a união dos pobres. Porque dos negros ricos, das Condolezza e dos Colin nada podem esperar os negros. Dos negros que agora estão ficando rico como Obama, que consegue comprar uma casa do seu financiador de campanha por um preço, digamos, “camarada” nada podem esperar os brancos e pobres negros. O discurso de que todos estamos no mesmo barco, patrões e empregados sempre se volta contra os pobres.

O cineasta que fez o filme x-mem 3 fez uma metáfora genial na luta de mutantes (os negros) contra o governo (e não contra os outros). Claro que ele tinha suas preferências (os mocinhos sempre tem) e os mocinhos, os do bem, venceram os do mal. Mas as palavras de Magneto caem como uma luva para Obama, Condolezza e Collin:

Traidores de sua própria raça.





A crise e a eleição nos EUA: o fenomeno Barack Obama

6 02 2008

Os resultados da primária de terça passada (5/1/2008) mostraram que a burocracia do proprio partido democrata está se dividindo. Obama conquistou o apoio dos Kennedy e conseguiu ser vitorioso em mais estados que Hillary. Todas as noticias de jornal destacam o fato de Obama ser maioria entre os negros, os homens e os jovens. A burocracia da Central sindical (AFL-CIO) investe pesadamente em Hillary, que consegue o apoio dos empregados, dos hispanicos e das mulheres. Em termos gerais, a situação é a seguinte:

O democrata Barack Obama venceu na Geórgia, Illinois, Delaware, Alabama, Dakota do Norte, Kansas, Connecticut, Minnesota, Idaho, Colorado e Alasca. A também democrata Hillary Clinton teve o maior número de votos em Oklahoma, Arkansas, Tennessee, Nova York, Massachusetts, Nova Jersey, Missouri, Arizona e Califórnia.

Hyllary – 845

Obama – 765

Obama dando as costas durante um cumprimento entre Hyllary e o senador Kennedy

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O Jornal OESP destaca em seu site que Hyllary “segurou” Obama ao vencer em estados maiores como Nova York e Califórnia. Por outro lado, a vitoria de Obama em estados mais reacionários e racistas, como Alabama e Georgia, mostra que o eleitorado negro está se mobilizando para eleger “um dos seus”.

Nós já mostramos em artigo anterior que Obama não é exatamente “um irmão”, que no seu programa não se encontra nem a revogação da lei patriotica que permite a policia investigar ou prender alguém “pelos caracteres raciais”. Então, como Obama consegue esta façanha?

Claro que a cor …engana. A apresentadora de TV Oprah Winfrey, provavelmente a mulher negra mais famosa dos EUA (hoje) faz campanha para Obama. Afinal, nunca nos EUA um político negro conseguiu chegar nestes pincaros. Os negros de Bush, Condolezza e Colin Power não podem se comparar, Obama tem suas proprias ideias e batalha por elas, não é um “empregado” de outro branco. Então, Obama é livre, é o futuro e a esperança como ele se proclama? E porque os homens brancos, jovens, bem empregados estão apostando em Obama? E os mais pobres em Hillary?

Cumprimento entre Bush e Obama, no Congresso, após discurso de Bush

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Antes de tudo, a principal culpada é a burocracia da AFL-CIO que recusa-se a construir um partido de trabalhadores, um partido socialista e apresentar um candidato proprio da classe trabalhadora. A classe, sem um alternativa que a represente, busca nos diversos candidatos da burguesia pontos de apoio para seus interesses.

E a situação da classe trabalhadora nos EUA não vai nada bem. Nos ultimos 30 anos, a economia dos EUA cresceu, a produção cresceu, a riqueza cresceu…mas quem ficou com tudo isso foram os mais ricos, já que a sua renda cresceu junto e…desceu a renda dos 50% mais pobres dos EUA. Além disso, os “investimentos” nas guerras do Iraque e Afagnistão não deram os resultados esperados e o dolar começou a cair de valor. Segundo muitos economistas, isso é bom para os EUA, já que ai eles vão exportar mais e importar menos. Sim, e quem vai “pagar por isso”?

Durante a ultima decada cresceu de maneira desmesurada o crédito nos EUA (fenomeno que também chega aqui nas costas brasileiras, em outras formas). E a classe sobrevivia de crédito, em particular das hipotecas de casas. Algumas casas eram hipotecadas duas ou tres vezes. Uma economista se surprende com uma questão, que agora os americanos estão deixando de pagar hipotecas (as casas) e preferem pagar o cartão de crédito. O problema é que as casas foram subindo de valor, em uma espiral especulativa, acima do seu valor real e, agora, cairam. O resultado, deve-se mais que o valor do bem, então é melhor ir para outra casa, porque pagar acima do que a casa vale, ninguem merece…

O resultado desta situação, repetida milhares, dezenas de milhares de vezes, é que os créditos (ditos sub-prime, que não tinham garantias reais) começaram a não ser pagos. Casas maiores também começaram a ser abandonadas ou então a ser “renegociadas”. E os bancos e financiadores começaram a ter quedas nos seus “lucros” ou até a terem prejuizos. Isso, somado a que estes debitos, que eram avaliados como de “alto risco”, sofreram uma pequena “transmutação”. Os bancos, para se garantirem, empacotaram milhares de créditos, transformaram isso em uma “aplicação” em que todos podiam “investir” seu dinheiro e venderam o produto “empacotado” para outros bancos e seguradoras no mundo inteiro…ou seja, espalharam a crise pelo mundo.

E as bolsas, no começo de 2008, parecem enlouquecidas. Cada nova notícia é saudada ora com uma euforia e as bolsas sobem e todos os analistas correm a explicar que “agora a crise foi debelada” ou, o que é mais frequente, uma noticia ruim (como a de ontem que o setor de serviços nos EUA caiu de produção, inclusive os “serviços industriais”, ou seja, aquela parte de terceirização nas fabricas) leva a novas quedas nas bolsas (ontem a bolsa dos EUA bateu record no seu nivel de queda). O mercado de trabalho encolheu.

Obama sentiu esta maré. E apresenta um programa que remonta a Kennedy e, mais propriamente, a Rosevelt e a seu programa de reabilitação da economia dos EUA, com protecionismo e uma nova aliança “capital-trabalho”. Esta é a força de sua candidatura, da “esperança” que ele apresenta. É possível esta nova retomada dos EUA?

Lembremos que a crise de 29 começou em situação parecida, só não tinhamos um candidato negro que “representasse a esperança”. A crise teve repercussões profundas no mundo – a revolução no Brasil que levou Vargas ao poder, a tomada do poder na Alemanha pelos Nazistas, a guerra civil espanhola e, 10 anos depois, a II Guerra mundial.

Ontem, os jornais noticiaram que a Europa vetou o comercio de carne do Brasil. As exportações brasileiras cairam no primeiro mes do ano. Sintomas da queda do comercio geral? O que sabemos é que o mercado caminho no rumo de uma ruptura, sem que possamos dizer quando. Qualquer que seja o resultado das eleições nos EUA, qualquer que seja o presidente eleito, todos sabem que os EUA pretendem jogar a crise nas costas dos outros para manter tudo funcionando. O problema é que o “mercado” tem suas leis próprias e esta tentativa só faz aumentar o rumo ao caos. Somente a organização da classe operária e a reorganização da sociedade e da produção pode evitar este caos.





Obama e o voto Negro

28 01 2008

A manchete do site da Uol não deixava duvidas sobre o resultado do voto em Barack Obama no estado da Carolina do Sul, estado majoritariamente negro:

Barack Obama vence na Carolina do Sul graças ao voto negro

O senador Barack Obama venceu hoje por uma ampla vantagem nas primárias do partido democrata em Carolina do Sul, onde recebeu o dobro dos votos da senadora Hillary Clinton, graças ao esmagador apoio dos negros. Obama conquistou 55% dos votos, o dobro da ex-primeira-dama, que obteve 27%, e muito acima dos 18% do ex-senador John Edwards.
O fato de metade dos cidadãos que foram votar ser afro-americana, segundo as pesquisas de boca-de-urna, poderia ter ajudado o senador a vencer esta disputa, na qual houve uma grande polarização racial dos eleitores.De fato, oito de cada dez eleitores afro-americanos que compareceram às urnas votaram em Obama, enquanto apenas dois escolheram a ex-primeira-dama dos Estados Unidos.Mas, como analisamos em nosso outro artigo sobre Obama (quem é barack obama:https://luizbicalho.wordpress.com/2008/01/08/quem-e-barack-obama/) Obama não é um candidato dos pobres, dos negros ou dos trabalhadores. Obama, pelo contrário deixou claro qual o significado que tem para ele o voto negro:

Em sua primeira aparição pública após obter a vitória, Obama tentou, segundo os analistas políticos, amenizar a tensão racial que houve na campanha nos últimos dias, e evitar, portanto, que seja considerado “o candidato dos afro-americanos”, o que poderia prejudicá-lo no resto do país.

“Nestas eleições não se trata de escolher segundo a região de cada um, a religião ou o gênero. Não se trata de ricos contra pobres, jovens contra velhos, nem brancos contra negros. Trata-se (de uma batalha) do passado contra o futuro”, disse publicamente.

“Estive vários dias viajando pelo estado, e eu não vi uma Carolina do Sul branca e outra negra. Vi uma só Carolina do Sul”, afirmou.

A população negra, o povo trabalhador dos EUA precisam sim de um candidato que os represente. Os movimentos negros, os sindicatos, correm para o Partido Democrata e distribuem seus votos entre Obama e Hillary Clinton. Os sindicatos, em particular, despejam rios de dinheiro tentando que um dos dois seja vitorioso e depois mais rios de dinheiro para que o Partido Democrata supere o Partido Republicano. E tudo continua com dantes no quartel de Abrantes. O que a classe operária necessita, o que o povo negro, o povo latino que habitam os EUA necessitam é de um candidato que represente estes interesses, um candidato que se apresente com uma plataforma socialista para superar a crise atual.

Sim, porque Obama tentará um novo “pacto social” em que alguns anéis sejam entregues para salvar os bilhões e bilhões, os trilhões de dolares dos riquinhos como Bill Gates que estão em perigo com a recessão que está chegando. Agora, se a recessão vai tirar alguns bilhões de Gates, ela vai eliminar milhões de empregos, vai matar mais pobres de fome, de doenças, de miséria…nos EUA! a nação mais rica do planeta, que produz e consome 25% do PIB mundial vai ver parte do seu povo morrer …de fome! é o maior escandalo que só oc capitalismo pode produzir. Enquanto agricultores ganham para não produzir o povo morre de fome. Enquanto os estoques de petroleo nos EUA bastam para o consumo de mais de um ano, pobres vão morrer de frio por não ter aquecimento. E Obama propõe resolver isso? o seu programa não mostra isso e, mais que isso, quando ele deixa claro que quer governar “para todos” já sabemos o resultado: governará para os ricos.

A saida é outra e passa por um combate em cada sindicato para que a Central sindical crie um partido e um candidato que possa se apresentar em nome da classe operária para mudar este pais e para mudar o mundo.





Quem é Barack Obama?

8 01 2008

Quem é Barack Obama
As eleições nos EUA presidenciais nos EUA começam com a definição de candidatos pelos partidos Democratas e Republicanos (os dois maiores partidos burgueses). O partido democrata, que conseguiu uma vitória parlamentar nas ultimas eleições (fez maioria na Câmara dos deputados, que se renova de dois em dois anos nos EUA), tem chances de chegar a Presidência. Dois de seus candidatos desafiam a lógica até hoje existente na política dos EUA: uma mulher (Hylarry Clinton) e um negro (mestiço, na realidade): Barack Obama. A candidatura de Obama parece crescer e atingir níveis de participação popular, segundo os grandes jornais. Mas, o que defende na realidade o Sr. Obama?
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Obama tem um site (www.barackobma.com) onde expõe suas propostas:
Sobre o Iraque: Obama declara-se contra a guerra e propõe a retirada das tropas em 16 meses. Propõe fechar a base de Guatanamo.
Irã – Se o Irã abandonar seus programas nucleares, nós ofereceremos incentivos para melhorar o comercio, investimentos econômicos e relações diplomáticas normais. Se não, aumentaremos a pressão econômica e o isolamento político.
Relações Internacionais – Os EUA devem liderar, liderar a luta contra contra os programas nucleares do Irã e Coréia do Norte e contra o terrorismo. Ampliar o tratado de não proliferação de armas nucleares, para aumentar as sanções a Coréia do Norte e Irã. Aumentar a presença diplomática (consulados), particularmente na África. Ajudar os estados mais fracos a reduzir a pobreza, a desenvolver seus mercados. Dar aos comandantes das tropas da ONU mais “flexibilidade”. Aumentará os investimentos para modernizar as forças armadas dos EUA. Aumentará em mais 65 mil os efetivos do exercito e em 27 mil os de fuzileiros.
Israel – Trabalhará por dois estados – Israel e Palestino.
Imigração: Obama propõe aumentar a segurança das fronteiras (leia-se – aumentar a repressão contra a entrada de imigrantes ilegais). Propõe além disso que se punam os empregadores que dão emprego a imigrantes ilegais. Que se aumente as oportunidades de imigração legal (não explicita como). Que se promova o desenvolvimento econômico do México para evitar a imigração (também não explicado). Propõe aumentar a velocidade e a capacidade do FMI de checagem dos ilegais.
Economia – Diminuir impostos pagos pelos pobres e pela classe média. No comercio Internacional, preservar os empregos americanos. Acordos comerciais que abram o mercado para os bons produtos americanos. Pressionará a OMC para que os paises acabem com subsídios ou outras barreiras contra as exportações americanas. Defende o NAFTA. Melhorar as condições e a requalificação dos trabalhadores demitidos.Mais créditos para o desenvolvimento de energia renovável. Liberdade Sindical, sem intimidação pelos empregadores.Defende o direito de greve. Aumento do Salário Mínimo. Criação de um sistema de avaliação dos cartões de crédito. Isentar da declaração de falência as famílias que provarem terem chegado a esta condição em virtude de despesas médicas. Fornecer um crédito fiscal a Empresas que mantenham suas matrizes nos EUA, que aumente o numero de seus empregados nos EUA, que forneça seguro saúde, aposentadoria e também que dê sustento aos empregados que servem as forças armadas.
Saúde – criar um novo seguro saúde nacional. Aumentar concorrência entre produtoras de remédios. Incentivar medicamentos genéricos.
Aposentadoria – As leis atuais de falência protegem os bancos antes dos trabalhadores. Obama propõe-se a inverter isso, a colocar os aposentados no primeiro lugar da lista de credores. É contra privatizar (ainda mais) a previdência. .
Estes são os principais pontos encontrados no seu site, sobre o seu programa. Antes de comentarmos o que eles dizem, notemos que o que ele não diz: a revogação do Ato Patriótico, aquela lei dos EUA que permite a prisão sem provas, sem assistência legal, a lei que permite a polícia investigar por “caracteres raciais”, reintroduzida após ter sido derrubada nas revoltas negras do final dos anos 50 e início dos anos 60.
Obama faz o seu discurso na primeira primária – Estado de Iowa – onde ele explica que precisamos unir novamente a América, que não podemos aceitar a divisão entre estados republicanos e democratas. Obama propõe-se a aumentar os impostos para as empresas que transfiram fábricas para o exterior, que propõe desenvolver novas formas de energia para combater as empresas petrolíferas, que traga as tropas do Iraque de volta para casa e que una a América e o mundo no combate ao terrorismo e as armas nucleares.
Unir a América. Patriotismo. Combater as grandes corporações e manter o sistema. Garantir direitos trabalhistas e dos sindicatos. Se olharmos na história, num momento de grande crise, houve um presidente americano que também assim se dirigiu ao povo americano: Rosevelt. Olhando o discurso, pode-se perguntar: porque nenhum analista não fez esta comparação? Mas Obama é um pouco mais que isso. Obama, no seu discurso para um sindicato de metalúrgicos relembra que ele apoiou a greve dos metalúrgicos. E que já disseram que “o que é bom para a GM, é bom para os EUA”, agora é hora de dizer “o que é bom para os sindicatos, é bom para os EUA”.
A verdade é que todos eles tem medo do que esta comparação significa: será que a crise chegou e a saída é outro Rosevelt? E lembremos, não há no discurso de Obama nenhuma “liberdade” que possa-se defender. Aumento das verbas para Forças Armadas, aumento do efetivo das Forças Armadas, aumento do controle das fronteiras, mais verbas para o FBI. Nem uma palavra sobre o Ato Patriótico.
A crise econômica está chegando e pode ser que uma alternativa que a burguesia americana se dê é tentar construir outro “grande acordo” a la Rosevelt. Mas, existem as condições para tal? O mundo mudou desde 1930, não existe o estalismo como a grande barreira que impeçam as massas de correr rumo a revolução. Por outro lado, as forças do marxismo estão bem fracas, ao final destes 70 anos de luta. A reconstrução que se faz, se faz lentamente, embora com alguns saltos, tanto positivos como negativos. Nós mantemos a confiança que a classe trabalhadora, inclusive nos momentos difíceis que estão chegando – e todo trabalhador americano que está perdendo emprego sabe o que isso significa – e temos certeza que os trabalhadores saberão resolver seus próprios problemas. Muito provavelmente passarão pela experiência de ter um negro (mestiço, para os nossos padrões) na Presidência, passarão por um presidente que promete muitas coisas e fará várias delas. Por um presidente que continuará a defender o capitalismo (unir todos, o que inclui a burguesia), um capitalismo mais humano que não tem condições de existir e que se revelerá ao fim e ao cabo tão brutal quanto o outro. Um presidente que defende uma política externa que leva os EUA de volta ao terreno da ONU, para dar mais “liberdade” aos comandantes da ONU, para aumentar as forças armadas, “re-equipa-las”. Um presidente que diz defender a liberdade sindical, o direito de greve e os direitos civis e nada fala do ato patriótico.
Não, não serão tempos fáceis, mas a classe saberá encontrar seus caminhos e armar-se para a sua vitória em um futuro próximo.
Luiz Bicalho








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