11 de setembro – o extremismo de Dilma e Obama

11 09 2011

Dilma escreveu uma carta, por ocasião do 11 de setembro, onde expressa nossa solidariedade e pesar à nação norte-americana, no dia em que se completam dez anos dos atentados terroristas de 11 de setembro”. Dilma, depois de prestar condolencia pela morte de mais de 3.000 pessoas, de parabenizar o povo americanos pela “coragem exibida”, termina a carta com uma pérola:


“partilho plenamente a visão de Vossa Excelência, expressa em discurso na cidade do Cairo, de que o extremismo violento deve ser combatido em todas as suas formas, inclusive por meio da reconciliação entre o ocidente e o mundo árabe, pela eliminação do armamentismo nuclear, pela afirmação da democracia, pelo respeito à liberdade religiosa e aos direitos humanos e da mulher, pela promoção do desenvolvimento econômico e a criação de oportunidades para todos em um mundo de paz e cooperação. Conte com o Brasil na construção dessa ordem internacional mais pacífica e mais justa.”

Esta carta é de uma covardia e um ataque brutal a todos que hoje lutam pela liberdade, que lutam pelo socialismo. Afinal, Dilma que lutou contra a ditadura militar esqueceu o outro 11 de setembro, o golpe de Pinochet? Esqueceu que a “coragem” exibida, foi o covarde ataque ao Afeganistão e ao Iraque, sendo que no Iraque foram entre 100 mil e 1 milhão de mortos em “vingança”? Esquece Dilma que o próprio povo dos EUA sofre sobre o tacão da lei de defesa, que permite a prisão de qualquer cidadão dos EUA suspeito de terrorismo sem comunicação a justiça e aos seus familiares? Esquece Dilma que no próprios EUA de hoje foi revogada a lei que impedia que a polícia utilizasse a raça como critério de suspeita em crime, retrocedendo aos idos pré-68, em nome do combate ao terrorismo? que hoje lá o Exército pode atacar o povo, em nome da luta contra o terrorismo, revogando uma lei que remonta ao século XIX? 
Esta é a liberdade que Obama quer implantar a ferro e fogo no mundo inteiro. Tal qual um moderno Figueiredo, que ficou conhecido por aquela frase: “quem for contra a democracia, eu prendo e arrebento”, o governo imperialista prende e arrebenta no mundo inteiro quem é contra a “sua democracia”.  Guantanamo está ai para lembrar a todos disso, a abertura dos arquivos do ditador da Libia, Kadaf, mostrou que lá também eram torturados prisioneiros levados pela CIA (e agora posam de bonzinhos caçando Kadaf pelos desertos). 
Gostaria de escrever: Companheira Dilma, corrija-se! Mas acho que usar o companheira seria uma triste ironia frente a esta carta. 

Um ótimo artigo sobre o 11 de Setembro:

http://www.marxismo.org.br/index.php?pg=artigos_detalhar&artigo=843





Gangorra balançando em AAA

10 08 2011

Balançando

A bolsa sobe. A bolsa desce. E Obama declara: “os EUA sempre serão AAA”. Legal. E eu quero ser B. B de bonito. B de Balaio de gatas, que esse negocio de ter balaio de gato é muito moderno pra alguem já velho como eu. B de Barato, que eu não preciso tomar nada, nem um copo de vinho, que sempre estou em barato. Quero ser I. I de inteligente. I de implicante, que os EUA e seus presidentes sempre me implicam.

A bolsa desceu e os jornais tocaram os bumbos: Essa será uma crise pior que 2008. E as bolsas subiram e os jornais tocaram…não tocaram nada, que cada um falou uma coisa diferente que não entenderam nada do que aconteceu. Mas, o que todos tem certeza, é que a classe trabalhadora tem que pagar pela crise. Manchete no Estado de São Paulo: Bancos demitirão 100.000 trabalhadores no mundo inteiro. Manchete no Brasil: Aumenta o valor do Super Simples. Em outras palavras, mais burgueses terão isenção de impostos, menos dinheiro entrará na previdencia social. E no Chile milhares saem as ruas. E na Inglaterra milhares saem as ruas. E a burguesia, seus analistas e experts acham que são mais crises comuns que podem ser resolvidas por meios comuns. Não enxergam nas manifestações, de outra forma, em outro conteudo, a continuidade da crise que derrubou as bolsas na segunda e as elevou na terça. I de Ignorantes. Todos eles.





Barack Obama e a dívida dos EUA

1 08 2011

Igualzinho novela da Globo. Ou eu deveria dizer novela mexicana? Todo mundo sabia o final…mas no final uma pequena surpresa. A noiva perdoou todas as traições do moçinho e se casaram com ela entregando tudo, a virgindade inexistente, seu carro, sua casa e sua poupança. Figurativo? Expliquemos melhor.
O governo dos EUA deve mais de 10 trilhões de dólares. Um número fantástico. Só que lá tem um pouco de “democracia” e o governo só pode aumentar o endividamento com autorização do congresso. E ai é que a porca torce o rabo, pra usar uma expressão antiga. O congresso tem que votar o aumento, mas resolve que pra votar isso tem que economizar dinheiro ao invés de só aumentar a dívida.
Legal. E como economizar? Os republicanos propuseram: cortem da saúde, da educação e da previdência social. Obama respondeu: aumentem os impostos dos ricos (que representaria 20% do valor a ser “cortado”), cortem da educação, da saúde, da previdência e dos militares.
Resultado: Impostos para os ricos? Nenhum aumento. Corte de dinheiro para saúde, para educação, da previdência social e dos militares: corta um pouco agora e o resto ano que vem.
Em outras palavras, tem crise? O povo é que pague!





Hillary no congresso – a nova política externa de Obama

22 04 2009

Novo governo, novos ventos. A viagem de Obama para a Europa e para a cúpula das Americas foi um sucesso. Paparicado por todos, paparicando outros, Obama declara que quer diminuir o arsenal nuclear, que quer um novo tempo onde as relações sejam de parceiros. Quase que distraidamente ele também explica que os EUA nesse novo tempo, com a parceria de todos, só quer “liderar” sem impor nada a ninguém. Legal, eu também quero liderar.

O problema é para aonde aponta a liderança de Obama. O depoimento de Hillary Clinton no congresso (22/04) mostra os rumos que o governo Obama quer tomar:

– Israel – exige que o Hamas reconheça o estado judeu como condição para participar de um governo palestino que seja sustentado pelos EUA. Esta declaração resume tudo – o governo palestino atual depende de verbas remetidas pelos EUA e pela União Europeia, diretamente ou indiretamente através de Israel. E como quem paga a banda escolhe a musica, não interessa em quem os palestinos votam – EUA e EU é quem escolhem o governo. Essa declaração brutal de Hillary mostra exatamente qual dialogo os EUA querem. Quanto a questionar os mais de 1.300 assassinatos durante a invasão da faixa de Gaza, quanto ao bloqueio de Israel e do Egito que impede que o material de reconstrução chegue a Gaza e que a economia possa fluir, sobre isto Hillary nada tem a dizer, porque esta é a sua política, levada a cabo por meio de terceiros.

– Cuba – Hillary declara que a era dos Castro está chegando ao fim e que os EUA devem se preparar para este fim. Muy amiga, muy amiga. Enquanto que Raul declara que quer conversar sobre tudo – e não estamos aqui avalizando a política de Raul Castro ou do Hamas, com os quais nada temos a ver – ela declara que se o nome é Castro deve finalizar. Que pretende levar a democracia e os direitos humanos para Cuba, que exige a libertação dos prisioneiros políticos. Interessante. Porque ela não liberta seus próprios prisioneiros políticos, a começar com os de Guatanamo e devolve a área para Cuba, porque lá permanecem ilegalmente e ninguém questiona? Porque ela não propõe revogar a mafaldada lei de segurança que permite a detenção ilegal de pessoas, que permite a escuta ilegal, tudo isso nos EUA, a “terra da democracia”? porque Obama não permite que se processem os torturadores da CIA e do Exercito, explicando que eles só “obedeciam ordens superiores”, quando este argumento foi detonado no julgamento de Nurenberg dos nazistas?

– Irã – novamente, a ameaça de voltar com o embargo comercial renovado e mais forte. Ora, ora. Francamente, não tenho nenhuma simpatia com o regime dos aiatolás, um regime despótico e ditatorial. Mas se tem algo que faça este regime parecer simpático é a forma como os EUA tratam. Os EUA boicotam a conferencia sobre racismo da ONU (assim que a declaração final estiver disponível faremos a analise dela) e armam o palco para o presidente do Irã. Depois tem o maior numero de armas nucleares do mundo e nunca questionaram as armas do Paquistão, da índia, de Israel. E agora questionam o direito do Irã de ter uma usina nuclear?

Realmente, os EUA querem somente “liderar”. Os outros tratem de segui-lo ou então….

Luiz Bicalho

luizbicalho@gmail.com





Do Tribunal de Nuremberg à Anistia para a CIA

21 04 2009

Obama declarou recentemente que o governo dos EUA não tem intenção de processar os juristas que elaboraram os pareceres responsáveis pela legalização da tortura por membros da CIA e dos exercito dos EUA. Além disso, tem repetido diversas vezes a defesa, inclusive jurídica, dos torturadores da CIA.

Obama, é claro, declarou-se contra a tortura e a proibiu formalmente. Entretanto, como muitos, eu me lembro claramente do Tribunal que julgou os nazistas e de sua premissa fundamental: ordens, quando ilegais, não são desculpa para cometer crimes. Podemos ler o seguinte sobre a história do tribunal:

A defesa alegou ofensa ao princípio da legalidade acima mencionado. Também alegou-se a obediência a ordens superiores, afirmação repudiada posteriormente pelo tribunal, nas palavras do juiz Biddle: “os indivíduos têm deveres internacionais a cumprir, acima dos deveres nacionais que um Estado particular possa impor”. http://www.internext.com.br/valois/pena/1946.htm

“Nuremberg mostrou-nos o caminho, mostrou-nos que nos temos que construir um instituição internacional”, disse Henry T. King Jr., acusador de Nuremberg. “Vamos lutar para estabelecer aquela corte permanente, para dar às futuras gerações alguma coisa que eles possam utilizar para processar aqueles que apostam na guerra contra a humanidade.” http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1639

Ora, Ora. Agora Obama vem e declara a inocência de juristas e compromete-se a defender inclusive judicialmente os agentes da CIA e membros do Exercito processados por tortura e o seu argumento é justamente “estavam obedecendo ordens”. Quem diria. O argumento dos nazistas é agora o argumento de Obama. Muito marcante. Sobre julgar Bush e seu vice, então, nem pensar. Mas é justamente disso que se trata.

A hipocrisia que rege o direito moderno é flagrante no mundo inteiro. Quando se trata de defender o pobre, dificilmente se acham leis e “precedentes” jurídicos. Na imaginação popular, que segue aproximadamente a realidade da polícia, o ladrão de galinhas é preso enquanto aquele que rouba milhões se safa. Outro dia um colega de trabalho me contestava veementemente a prisão daquele financiador de campanhas de Minas e de sua tortura na prisão por outros prisioneiros. Este meu colega, entretanto, não raciocinava sobre a provação diária que passam milhares de pessoas, pobres, que não tem dinheiro para pagar um advogado que consiga um habeas corpus do Presidente do STF Gilmar Mendes. Só repetia que era errado o que fizeram com o financista. Sim, reconhecemos, torturar não é exatamente o que queremos como direitos humanos.

Então, porque quando sofrem milhares e milhares nas prisões nossas do dia a dia não conseguem a solidariedade e o pesar de todos? Porque este pesar, que se reflete no meu colega de trabalho, vai para um riquinho qualquer que teve o seu dia de pobre? Porque Obama de esmera em defender os torturadores da CIA e não consegue tirar das prisões os torturados? Afinal, o principal acusado dos ataques de 11 de setembro nos EUA foi torturado mais de 150 vezes antes de se confessar culpado.

Há uma velha piada sobre o BOPE. Foi feito um concurso de policias do mundo inteiro. Soltaram um coelho e o FBI recuperou o coelho em 1h. Soltaram novamente outro Coelho e a Scotland Yard recuperou o coelho em meia hora. Soltaram outro coelho e, 10 minutos depois, o BOPE apareceu com um porco que pingava sangue de todo o corpo e gritava desesperadamente: eu sou um coelho, eu sou um coelho.

Os presos dos EUA gritam desesperadamente – somos culpados. E, sabemos agora, foram torturados mais de 100 vezes para que fizessem isso. Sim, estes presos são mais resistentes que o porco da piada. Mas, sobre tortura, qualquer ser humano diz qualquer coisa. Poucos, muito poucos, os que resistem.

Obama chegou ao governo e disseram que tudo mudaria. A manutenção da prisão de Mumia Abuh Jamal, a manutenção das leis que permitem a investigação policial pelos sinais raciais e a anistia aos torturadores mostram exatamente de que lado ele está.

Luiz Bicalho





Porque Obama cai nas pesquisas

23 08 2008

Os jornais das três ultimas semanas (desde o começo de agosto) relatam que Obama caiu nas pesquisas de intenção de voto. Os analistas burgueses, inclusive os ligados ao Partido Democrata, tem se questionado sobre o problema. A maioria deles, depois de voltas e mais voltas, conclui que Obama tem que ser mais incisivo nas questões de economia, que o povo americano está com problemas – desemprego, aumento de preços de alimentos e da gasolina, pagamento das casas, etc.

Em certos aspectos, sim, eles tem razão. A situação econômica dos EUA beira uma catástrofe e os economistas burgueses se desesperam. Sabem que os ventos da revolução que varrem a America Latina podem muito bem atingir os EUA com uma força muito maior que mil Katrinas. Mas, isto não responde a questão: porque Obama caiu?

A situação nos EUA esta marcada, politicamente, pelos resultados do movimento anti-guerra do Iraque, movimento que colocou milhões de jovens nas ruas, que deslocou profundamente o movimento operário, apesar de não ter conseguido seus objetivos: impedir a guerra do Iraque e, após o inicio desta, conseguir a retirada incondicional das tropas do país ocupado. Mas a guerra do Iraque e as outras guerras sustentadas pelo imperialismo norte-americano tiveram outras conseqüências: quem vai pagar a conta? A guerra do Iraque tem o seu inicio com a votação pelo congresso dos EUA do seqüestro de 100 bilhões de dólares da previdência social em favor dos créditos de guerra. Durante os anos de guerra aprofunda-se a política de retirar ou diminuir os créditos federais dirigidos ao serviço público – educação, licença maternidade, auxilio a maternidade, auxilio aos desempregados, saúde pública. Cada vez mais diminuem os casos cobertos por verbas federais pesando sobre os municípios e estados o peso destas tarefas.

O Jornal Folha de São Paulo destaca a situação da classe trabalhadora Norte-Americana (24-08-08):

O valor fixado pelo governo federal para a remuneração mínima por hora de trabalho ficou congelado entre 2000 e 2007, quando houve um pequeno reajuste. Em termos reais (descontada a inflação), a hora mínima paga caiu de US$ 4,70 em 2000 para menos de US$ 4,40 -uma queda de 6,5%.
Como resultado, em 2006 (último dado disponível), a renda média das famílias era 2% menor do que em 2000. Isso em um período em que o lucro corporativo subiu 11% além da inflação, e os ganhos do 1% de americanos mais ricos, 95%.

A direita trabalha o sentimento dos pobres para dividir os trabalhadores e acusar os imigrantes ilegais de “usufruírem” o bem estar americano, fazendo votar leis estaduais e municipais que retiram dos imigrantes o acesso a estes serviços e inclusive o direito de educar seus filhos em escolas publicas. Hospitais promovem “vôos de retorno” onde pacientes doentes, por não terem seus custos cobertos pela saúde publica são retirados dos hospitais, inclusive sem o conhecimento de suas famílias e deportados em casos de internação hospitalar! A direita arma-se e forma “patrulhas da fronteira”, “minute- man”, organizações para-militares com o objetivo de atacar os imigrantes. Mas, como já explicamos, os ventos da revolução que vem do Sul atingem fortemente o Norte e pela primeira vez na história americana o primeiro de maio começa a ser comemorado com manifestações massivas de imigrantes as quais aderem sindicatos organizados. A tradição do movimento operário chega aos EUA pelas mãos dos latinos. Tal qual anteriormente os europeus exportaram para os países latino-americanos e asiáticos o socialismo e o comunismo, agora o movimento operário americano sofre a influencia dos latinos. Ironia. A burguesia ianque durante anos considerou a America Latina o seu quintal. Agora, os latinos se vingam levando para o movimento operário americano as tradições do movimento operário mundial. A “globalização” atinge a burguesia em se fígado.

A guerra do Iraque fracassou. Hoje, Bush é forçado a negociar um acordo de saída dos pais árabe com o próprio governo fantoche que ele fabricou. O período de “guerra quente” que ele abriu, após a “guerra fria” ter acabado leva a invasão da Geórgia pela Rússia (não é o caso, aqui, de analisar esta guerra) e leva a retirada de mais de 2.000 soldados “aliados”. Isto depois do governo espanhol ter sido derrotado e as tropas espanholas terem sido retiradas. Pouco a pouco o fracasso da guerra espalha-se pelo mundo e junto com a guerra espalhou-se o terrorismo, aumentou a produção de jovens dispostos a se explodir em busca de um mundo melhor (tática que só aumenta e repressão e com a qual não podemos ter nenhum acordo). Mas a principal herança da guerra foi econômica.

Para se financiar a guerra e a ocupação (diversos estudos falam em valores que variam de três a quatro trilhões de dólares gastos a fundo perdido) o capitalismo americano jogou-se como nunca antes nas mãos da alavanca artificial do credito. O credito para a construção e compra de casas ampliou-se como nunca antes. E, um dia, a conta da guerra e das casas tem que ser paga. E quando o dia chegou, as contas não fechavam. Pobres capitalistas, que vem seus bancos perder valor e até quebrarem. As agências hipotecárias americanas Fannie Mae e Freddie Mac tiveram queda no valor de suas ações de mais de 90%. Pobres capitalistas que são obrigados a pedir ajuda continuamente ao tesouro norte-americano. Enquanto falta dinheiro para auxiliar as mães que tem filhos, sobra para ajudar os bancos, para ajudar a Ford, a GM, etc. Fabricas, alias, que para sobreviverem, anunciam o fechamento de 10, 12 plantas industriais e a dispensa de centenas de milhares de empregados.

É neste clima sombrio, de desespero para a própria classe operária e para a juventude, é neste clima em que os dirigentes dos sindicatos tem como única política entregar os anéis e também os dedos, fechando acordo após acordo que permitem as fabricas de demitir e destruir diretos, é neste clima sombrio que surge o Senador Obama.

Sim, já analisamos em outro artigo o programa de Obama (https://luizbicalho.wordpress.com/2008/01/08/quem-e-barack-obama/). Mas, durante o embate duro pela indicação do Partido Democrata, Obama aparecia como o candidato que prometia a retirada das tropas dos EUA do Iraque, como uma novidade no ambiente político norte-americano. Mas, pecado dos pecados, Obama consegue a indicação do Partido Democrata e sofre uma transmutação: o candidato da esperança, da Obamania, mostra a público a sua verdadeira face (analisada no artigo citado).

Mas a burguesia americana quer mais. Assim como a burguesia exigiu de Lula a “carta aos brasileiros” onde ele prometeu mundos e fundos a burguesia, a burguesia americana quer que Obama mostre que pode lidar com os “problemas internacionais”. E Obama, assim como Lula, negou não três vezes como Pedro a Jesus Cristo, mas todas as vezes que a burguesia pediu ele negou a Obamania, negou os jovens e os operários que dele esperavam algo: Na sua viagem internacional, passando pelo Iraque, Israel e Europa, Obama deixou mais claro que nunca a sua disposição de atacar o povo palestino apoiando toda a política de brutal repressão do estado judeu sobre os palestinos, apoiou Jerusalém como capital de Israel (que tem muito mais que um significado simbólico, é a expressão que fincamos o nosso pé aqui e os outros é que se afastem), apoiou a invasão do Irã, apoiou toda a política de combate ao terrorismo, mais realista que o próprio rei ao falar do fantasma de Bin Laden. Bush, como muito gosta de Obama, completou a tarefa e decidiu fazer um plano de retirada das tropas do Iraque. E ai, afinal, onde se diferenciam os candidatos?

Ah, pobre burguesia. Ah, pobres democratas. Ah, chorem suas ilusões e seus sonhos perdidos. Sim, nada indica que a partida esta ganha pelos Republicanos, afinal Obama pode e deve completar sua transformação em Bush e escolhe como companheiro de chapa um “critico” da “condução” da guerra do Iraque, o Senador Democrata que é o Presidente da Comissão de Relações Exteriores.

Escolha feita a dedo, um conservador “liberal”, bem visto por todos. E o ciclo se fecha e temos um vice-presidente à imagem de Cheney… Com a diferença que não é um grande industrial, o que ajuda a torná-lo mais palatável. E o povo?

Os sindicatos a esta altura do campeonato despejam rios de dinheiro e todo o esforço de sua militância para eleger um Obama… que é cada vez mais a cara de Bush. O resultado das eleições será um tapa na cara dos operários, qualquer que seja o eleito. A esta altura a Obamania que impulsionava a campanha, se reeditada, vai ser em bases totalmente diferentes, perdido o charme e a inocência que a caracterizaram no primeiro e derradeiro estágio. Obama caiu nas pesquisas porque ficou igual a Bush. Ainda pode ser eleito, pela maquina do partido democrata, mas não mais como a esperança de mudança. Sim, alguns ainda continuam um movimento vazio, sem razão de ser. Mas isto rapidamente se esvaziará e voltará às razões duras das necessidades da burguesia americana. Aos operários, resta a luta para construir um partido, para mudar as direções sindicais que não conseguem desgrudar de sua burguesia.





A nova face do Imperialismo USA – Obama

1 08 2008

A nova face do Imperialismo USA – Obama
Iraque, Afeganistão, Israel

Durante a disputa pela indicação do Partido Democrata a Presidência, muitos dos que se declaram “a esquerda” no Brasil e no mundo começaram a torcer pela vitória de Obama. Muitos que participam do movimento negro, estes mais que outros, enxergavam em Obama a “mudança”. A recente viagem de Obama e suas declarações permitem que se atualize uma analise das propostas do Senador e de suas propostas.
Em Israel, Obama reafirmou as posições tradicionais do Imperialismo USA:
Eu continuo dizendo que Jerusalém será a capital de Israel.
Eu disse isso antes e torno a dizer, mas eu também observei que isso é uma questão a ser decidida por meio de negociações”, declarou Obama (http://www.estadao.com.br/internacional/not_int210664,0.htm – 23/06/08)
Explicando: a posição de Israel de que Jerusalém é a sua capital oficializa a expulsão dos palestinos desta cidade. Mas Obama foi muito além disso:
“Estou aqui nesta viagem para reafirmar a relação especial entre Israel e os EUA, ao manter o compromisso com sua segurança, e a minha esperança de que eu possa servir como um parceiro efetivo, seja como senador ou presidente, para trazer uma paz mais duradoura à região” (http://www.estadao.com.br/internacional/not_int210604,0.htm )
Em encontro com o presidente de Israel, Shimon Peres, Obama disse que Israel é “um milagre que floresceu” desde sua criação, há 60 anos. Mais tarde, usando um solidéu, ele depositou flores brancas no memorial do Holocausto Yad Vashem.
“Que nossos filhos venham aqui e conheçam esta história, para que possam somar suas vozes aos que proclamam ‘nunca mais”‘, escreveu Obama no livro de visitantes do museu.
(http://www.estadao.com.br/internacional/not_int210594,0.htm )
A Esquerda Marxista (www.marxismo.org.br) destacou em matéria publicada recentemente sobre a questão palestina o significado do Estado de Israel e sua importância para o Imperialismo USA:
Os EUA sustentam fortemente a guerra de extermínio do Estado Sionista de Israel contra o povo palestino, mas a resistência impressionante deste povo impede qualquer estabilização duradoura. A traição dos dirigentes palestinos que caucionaram os Acordos de Oslo só pode conduzir ao desastre. Eles criaram a atual situação onde Hammas e Fatah iniciaram, pela primeira vez, uma guerra civil entre os próprios palestinos. Abu Mazen é um agente político do imperialismo dentro da Palestina e o Hammas, alentado durante anos por Israel para enfraquecer o Fatah e toda a OLP, é um partido reacionário cuja única perspectiva para o povo palestino é afundá-lo na barbárie do estado integrista religioso. O Estado Islâmico proposto por Hammas é a versão simétrica do Estado Sionista de Israel. A guerra entre Hammas e Fatah é uma guerra contra o povo palestino e o apoio dos marxistas a qualquer um dos dois seria um crime contra o povo palestino e a luta pelo socialismo.

Não há solução para a questão Palestina sem o direito de retorno dos milhões de refugiados, sem a constituição de um só Estado sobre todo o território histórico da Palestina onde possam conviver em paz todos os povos da região, independentemente de sua religião, ou origem, sejam judeus, muçulmanos, cristão, etc.

E esta solução, como demonstra a Teoria da Revolução Permanente, só pode ser realizada pela revolução socialista na Palestina e na região. (http://www.marxismo.org.br/index.php?pg=artigos_detalhar&artigo=179 )
As declarações de Obama mostram que ele está plenamente afinado com esta política, com toda a política de ataque ao povo palestino. Então como dizer que Obama tem algo a ver com a esquerda, com a defesa com qualquer direito dos povos?
Mas em sua viagem Obama não falou somente sobre Israel. Ele explicou qual deve ser a política do imperialismo de “combate ao terrorismo”:
A respeito do Afeganistão, o candidato descreveu a situação daquele país como “precária e urgente”, dizendo ainda que a rede Al Qaeda e o Talibã planejavam realizar mais ataques contra os EUA.
“No Afeganistão e na região de fronteira com o Paquistão, a Al Qaeda e o Talibã organizam uma ofensiva cada vez mais intensa contra a segurança do povo afegão e do povo paquistanês ao mesmo tempo em que planejam a realização de ataques contra os EUA”, disse o candidato.
Obama realiza uma viagem internacional e, como parte dessa viagem, visitou o Afeganistão no fim de semana. O democrata descreveu esse país como a “frente central da guerra contra o terrorismo”.
“Estou satisfeito com o fato de que há um consenso cada vez maior nos EUA sobre o fato de que precisamos dar mais atenção ao Afeganistão. Não deveríamos esperar mais tempo para intensificar nossos esforços”, acrescentou.
(http://www.estadao.com.br/internacional/not_int210091,0.htm )
Obama ressaltou que seu objetivo é não ter mais tropas americanas engajadas em operações de combate no Iraque. Ele ainda voltou a descrever a situação no Afeganistão como “precária e urgente”, dizendo que a Al-Qaeda e o Taleban planejam mais ataques contra os EUA. “No Afeganistão e na região da fronteira com o Paquistão, a Al-Qaeda e o Taleban ampliam cada vez mais sua ofensiva contra a segurança o povo afegão e paquistanês, enquanto planejam novos ataques contra os EUA”, afirmou. (http://www.estadao.com.br/internacional/not_int210025,0.htm )
“Temos que entender que a situação é precária e urgente aqui no Afeganistão e acho que este deve ser o objetivo central, a frente primordial, em nossa batalha contra o terrorismo”, eclarou o senador, que se reuniu também com comandantes militares americanos na região.
Obama quer enviar duas brigadas adicionais – aproximadamente sete mil soldados – ao Afeganistão. “Existe um consenso crescente de que é o momento de retirar algumas de nossas tropas de combate do Iraque, desdobrá-las no Afeganistão (…). Agora é o momento de fazer isso”, apontou.
O candidato também falou da necessidade de o Paquistão adotar medidas mais contundentes contra campos de treinamento para terroristas na fronteira com o Afeganistão.
“Acho que o Governo americano oferece uma quantidade de ajuda enorme ao Paquistão, um grande respaldo militar”, disse Obama. O democrata ressaltou que é necessário enviar “uma mensagem clara” ao Paquistão de que a luta antiterrorista é tão importante para eles como para os Estados Unidos.
(http://www.estadao.com.br/internacional/not_int209195,0.htm )
Como podemos ver, Obama quer continuar a política do imperialismo de “combate ao terrorismo”, mudando o foque do Iraque para o Afeganistão. Lembramos que esta não é uma “novidade” que apareceu após a vitória de Obama no Partido Democrata mas a expressão concentrada de uma política que aparecia no seu site e que analisamos em janeiro
(Quem é Barack Obama – https://luizbicalho.wordpress.com/2008/01/08/quem-e-barack-obama/ )
Sobre o Iraque: Obama declara-se contra a guerra e propõe a retirada das tropas em 16 meses. Propõe fechar a base de Guatanamo.
Irã – Se o Irã abandonar seus programas nucleares, nós ofereceremos incentivos para melhorar o comercio, investimentos econômicos e relações diplomáticas normais. Se não, aumentaremos a pressão econômica e o isolamento político.
Relações Internacionais – Os EUA devem liderar, liderar a luta contra contra os programas nucleares do Irã e Coréia do Norte e contra o terrorismo. Ampliar o tratado de não proliferação de armas nucleares, para aumentar as sanções a Coréia do Norte e Irã. Aumentar a presença diplomática (consulados), particularmente na África. Ajudar os estados mais fracos a reduzir a pobreza, a desenvolver seus mercados. Dar aos comandantes das tropas da ONU mais “flexibilidade”. Aumentará os investimentos para modernizar as forças armadas dos EUA. Aumentará em mais 65 mil os efetivos do exercito e em 27 mil os de fuzileiros.
Israel – Trabalhará por dois estados – Israel e Palestino.
Ou seja, as declarações atuais de Obama não são um “raio em um céu azul”, mas são previsíveis a partir do seu programa. É de ressaltar que o desnudamento desta política vem desanimando seus seguidores e sua campanha, tendo como resultado que a diferença nas pesquisas entre Obama e MacCain (o candidato republicano) começa a cair. Obama será o vencedor?
A verdade é que a burguesia americana encontra-se profundamente dividida e a divisão entre os dois candidatos mostram alguma linhas de clivagem sobre o que deve ser feito no futuro: continuar ou não no Iraque (o aumento dos preços do petróleo, aliado a queda do dólar, tem como efeito diminuir o “prejuízo” com a invasão), aplicar uma política de “apoio” aos trabalhadores (leia-se, voltar a defender o “contrato social” que tem uma garantia mínima de emprego para os trabalhadores das industrias tradicionais) ou continuar a “globalização” (o deslocamento de empresas e empregos para outros paises), manter o papel tradicional dos EUA no emprego de tropas ou “moderniza-las”.
O pano de fundo de tudo isso é a crise que não dá sinais que acabará tão cedo, apesar dos esforços desesperados para tal. O mercado mundial caminha na direção de um deslocamento e o aumento dos preços do petróleo, das matérias primas e dos alimentos, aliado a queda dos preços das mercadorias de alta tecnologia mostram isso. Qual a solução? Se a classe trabalhadora, através de seu combate, não conseguir abrir caminho em direção a revolução na crise que se abre, a solução para será sempre um passo a mais em direção a barbárie capitalista. A divisão que se expressa na burguesia americana é exatamente a divisão de qual a melhor forma de combater contra os trabalhadores, contra a sua organização, contra a revolução proletária. Os marxistas analisam estes movimentos a nível mundial e se organizam para ajudar os trabalhadores a combate-los, ajudando a fazer nascer a revolução que poderá dar fim a estes tormentos cada vez maiores.








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