“Os babacas” e a revolução

21 08 2008

O presidente Lula viajou ao Nordeste e animado pelos ares e pela pobreza da região, ou talvez incorporando Padre Cícero, Lampião ou o Antonio Conselheiro, resolveu agredir os que não concordam com seus programas. Lula declarou:

“Quando criamos o Prouni tinha um tipo de gente que fazia discurso assim contra o governo: “ah, estão privatizando a educação”, “ah, estão dando dinheiro para universidade particular”. Ou seja, os babacas não percebiam que estávamos fazendo uma revolução na educação brasileira”

“Aí tinha um tipo de estudante daqueles que vocês sabem, que vai para a reitoria querer bater no reitor. “Ah, 18 alunos é muita gente na sala de aula, 18 alunos vai atrapalhar a educação”. O babaca rico que já estudava não queria que o pobre tivesse a chance”

Os leitores hão de nos perdoar se, ao invés de nos enquadrarmos como “babacas” como falou o nosso Presidente, nós quisermos olhar a realidade educacional de nosso País e os programas que o governo faz, comparando-os com a realidade. Ao final o leitor poderá julgar se somos “babacas” ou revolucionários.

As estatísticas mostram que o numero de alunos em faculdades particulares cresceu espetacularmente nos últimos 20 anos, crescimento este que não resultou do Prouni, foi anterior a ele. Ressaltamos que os alunos destas faculdades pagam as faculdades por pelo menos 3 vezes – quando pagam a sua mensalidade, quando pagam os livros caríssimos dos cursos, quando pagam os impostos que garantem que estas faculdades funcionem com isenção de impostos e seus donos, perdão “manutenedores” continuem a auferir lucros, perdão “ajuda de custo”, milionários. Estas faculdades mantem na maioria das vezes cursos que funcionam na base do “cuspe e giz”, onde não existem laboratórios, as bibliotecas são comedias. O Maximo que conseguem é laboratórios de informática onde os computadores são disputados a tapa. Muitas delas funcionam em Shopping Center e agora a nova moda no Rio é de faculdades funcionando em estações de metrô, além de cursos a distância…

Sim, toda uma fábrica de diplomas funcionando a pleno vapor.

Enquanto isso, a realidade das universidades federais e estaduais é de um horrível abandono. Prédios com infiltração, faltam carteiras. Os laboratórios com dificuldades de funcionar com falta de peças de reposição. Em todas elas a implantação de “fundações apensas” de direito privado que ficaram tristemente famosas com o escândalo do apartamento do reitor da UnB, onde verbas para pesquisa são buscadas em convênios com empresas e são desviadas, muitas vezes, para fins nada dignos.

Entretanto, como qualquer empregador sabe, é muito mais confiável um engenheiro formado em uma universidade publica que em uma universidade particular. Eu, como um pobre que chegou a uma universidade publica por méritos próprios, que nunca tive carro para estudar lá, que trabalhei para pagar meus livros, minha comida e meu transporte enquanto estudava, como posso me sentir um babaca ao defender esta universidade?

Cada um é cada um. Lula se orgulha de não ter feito universidade. Eu, petista, sempre defendi que um presidente não precisa fazer universidade. Mas defendo muito mais que um presidente não precisa destruir as universidades. Lula critica os que acham que multiplicar por 9 o número de alunos, aumentando as verbas em 20% são “babacas”. Presidente, com muita sinceridade, babacas seriamos se acreditássemos no senhor que a qualidade do ensino não cai com a multiplicação do numero de alunos e um aumento ridículo de verbas.

Sr. Presidente: estão errados os que acham que o Senhor deveria aumentar as verbas das universidades publicas para aumentar os alunos? Estão errados os que acham que ao invés de dar mais dinheiro para os patrões, perdão novamente, “manutenedores” de universidades privadas o Senhor deveria estatiza-las, estatizar toda universidade que recebe verbas federais (neste país, incrivelmente, são todas! Nenhuma universidade sobrevive por suas próprias pernas)? É errado achar que nosso rico dinheiro não deveria engordar mais ainda estes tubarões do ensino? É errado achar que as “fundações apensas” deveriam ser proibidas?

Querido Presidente: o Senhor faz uma “revolução ao contrário” ao aumentar os lucros das universidades particulares e rebaixar a qualidade do ensino das universidades publicas. Nós, ao contrário, queremos uma revolução que estatize toda universidade que dependa de verbas publicas, que de ensino universal.

O Senhor, Presidente, tem consciência, junto com seu governo, de que seu plano não é de universalizar o ensino. Tanto é que o Senhor, ao lado destas propostas, mantem uma proposta de criar cotas para as universidades, como se colocar um negro na universidade fosse acabar com o racismo. O Movimento Negro Socialista há tempos vem criticando esta proposta e lutando por um ensino universal. O Senador Cristovam, de quem discordamos em muitos aspectos, propõe que todo o ensino básico e médio seja federalizado e assumido pela União. O Senhor reluta até em aplicar totalmente o piso nacional (já rebaixado) para professores de nível básico e médio. O Seu Ministro da Educação está estudando uma medida para que a parte que exige um maior tempo de preparação de aulas não seja exigido dos antigos professores, ou seja, que os Estados e Municípios não sejam obrigados a contratar mais professores. E isso quando as salas de aulas destes estados e municípios tem não é 18 alunos por sala de aula, mas 40, 50 ou 60.

Por falar nisso Sr Presidente. Eu cá tenho uma duvida: onde o Senhor achou uma sala de aula de universidade com 2 alunos? Aliás, onde o Senhor achou uma sala de aula de universidade com 18 alunos? A maioria que conheço tem de 40 a 60. Pois é. Ainda acredito que para ser Presidente não se precisa cursar uma universidade. Mas para fazer planos desses deveria pelo menos olhar uma universidade funcionando.

Nós seguimos pensando que a melhor solução para tudo isso é caminhar na direção do socialismo, olhando com atenção a realidade. O Sr. Que enxerga o mundo cor de rosa com universidades com salas de 2 alunos, segue feliz com o capitalismo. Aos trabalhadores caberá a ultima palavra.








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