26 de Abril – Australia, o enbranquecimento amarelou

27 04 2011

(continuação do post anterior, sem fotos que minha  nora sonegou)

Depois, desci, peguei a bagagem, sai do aeroporto e, é claro, o meu filho é meu filho e ele perdeu o trem e só chegou uma hora depois do que deveria ter chegado e eu já tinha tentado ligar pra ele mas como voces se lembram ele é meu filho e só mandou o telefone do trabalho e ele não estava no trabalho estava indo me buscar.

Enfim, nos encontramos todos e fomos pegar um tax. Legal, o taxi aqui dirige do lado errado, os carros são todos invertidos e chegamos no hotel. Boa surpresa, pude entrar de manha, tomei um banho demorado que não aguentava mais depois de 24 horas sem tomar banho, apertado num avião!

Ai descemos e fomos tomar um café, comi um enrolado de legumes que era uma delícia, a comida aqui é cara mas quem tava pagando para que eu pague ele depois era meu filho e então não fiquei sabendo muito os preços e o café até que não é tão ruim (melhor que no chile).
Ai pegamos um trenzinho que passa por cima da cidade para ver a cidade inteira, o que foi divertido, o pessoal daqui é muito amavel e paramos no museu naval. O museu naval é gratuito exceto se voce quiser passear nas replicas de navios antigos e no submarino (só entrar, eles não navegam).
Ai pegamos o passeio gratis e fomos ver a imigração infantil. Legal. A Inglaterra, até 1969, enviava crianças para Austrália, Canada e Rodésia para serem escravos. O que tem isso a ver com o museu naval? juro que não descobri e quando descobrir eu conto.
Mas o conto é um conto de horrores. As crianças que vinham eram orfãs. E o conceito de orfão eram de crianças abandonadas, crianças em asilos, crianças cujas famílias eram pobres. Ah, fiquei sabendo também que durante a guerra interromperam o tráfico e alistaram estas crianças no exercito da Inglaterra. Crianças Soldados. Francamente, não entendo como hoje conseguem se “indignar” com crianças soldados se era isso que faziam.
Enfim, o objetivo de toda a imigração era duplo: para a Inglaterra, que não pode aceitar a simples proposta de Jonathan Swift (ver http://www.arquivors.com/umaproposta.htm) a solução para a pobreza era simples: mandava as crianças pobres para fora. Eles prometiam escolas, poneis para montar e que depois seriam reunidos com suas famílias. Isso, é claro nunca aconteceu. A maioria ia para famílias como “agregados” comendo nos fundos, sem educação nenhuma e trabalhando de manhã a noite. O depoimento de um deles é simples: eu ganhei uma biblia, mas nunca tive tempo de ler uma palavra. Instituições religiosas promoviam a partida e várias delas mantinham fazendas ou fábricas onde as crianças trabalhavam.
Do lado do Canadá, da Austrália e da Rodésia fazia-se o embranquecimento da população. Quem estudou um pouco de história do Brasil vai lembrar disso. Apesar de publicarem algumas críticas e textos críticos de algumas crianças o tom geral parece de orgulho pelos que “ajudaram” a construir o Pais. Legal. Muito Legal. A Austrális me enojou assim que eu entrei.
Ah, é claro. Hoje tem mais chines (designação generica para todos que vem da China, Vietnam, Coréia e outros paises asiáticos) que “gente”. Em outras palavras, o embranquecimento fracassou redondamente e o pais …amarelou. Unica coisa divertida e, é claro, ainda não vi noticias sobre imigração de crianças amarelas, mas talvez a coisa hoje não seja tão explicita.  Ah, descobri também que eles não se incomodam muito com os amarelos e com os brasileiros, mas nunca, nunca, seja confundido com um indiano. Tem comandos de caça de indiano que saem nas ruas batendo em indianos. Muito legal para um pais civilizado.
As fotos das crianças, a tristeza em seus olhos, o desespero daqueles que chegam chocam qualquer um. Escrevendo as duas horas da manhã daqui, 12 horas depois que vi a exposição, ainda estou chocado demais para poder admirar o País. Sim, a cidade é linda e toda hora que a vejo tenho vontade de vomitar.
Vi um shou de circo, gratuito. Passei em algumas lojas e juro para voces que o vinho daqui é otimo. Dormi sentado enquanto tomava vinho, jantamos em um restaurante coreano, depois fui para o meu hotel e dormi as 5:30 da tarde aqui, manhã por ai. Resultado: acordei as 10:30h, tomei um banho e sai na rua a noite. Andei para cima e para baixo na rua do hotel para não me perder e voltei. Dormi mais duas horas e estou escrevendo este texto.
Boa noite, bom dia, sei lá, publico quando tiver acesso a internet.








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